O conflito entre Estados Unidos e Irã gerou uma onda de volatilidade nos mercados globais, beneficiando os principais bancos de Wall Street. No 1º trimestre de 2026, instituições financeiras como JPMorgan Chase, Citigroup e Wells Fargo registraram lucros combinados superiores a 25 bilhões de dólares, impulsionados pelo desempenho recorde de suas mesas de negociação.
A instabilidade geopolítica e a incerteza econômica provocaram oscilações abruptas nos preços de ativos, especialmente petróleo e juros, aumentando a demanda por operações financeiras e estratégias de proteção por parte de investidores e empresas.
A turbulência nos mercados, intensificada pela guerra no Oriente Médio e por outras tensões geopolíticas, levou a fortes oscilações em commodities, moedas e títulos públicos. Esse ambiente favorece os bancos de investimento, que lucram ao intermediar operações e oferecer liquidez.
No período, o JPMorgan Chase reportou lucro de US$ 16,5 bilhões, alta de 13% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A receita com trading atingiu 12 bilhões de dólares, um recorde histórico, consolidando a liderança do banco no segmento.
Executivos do JPMorgan destacaram que, apesar da volatilidade, os mercados não apresentaram disfunções graves, como falta de liquidez, o que manteve os clientes ativos. Esse tipo de cenário é considerado ideal para bancos, pois combina grandes variações de preços com fluxo constante de operações.
O Citigroup também se beneficiou do cenário, registrando lucro de US$ 5,8 bilhões, crescimento de 42% em relação ao ano anterior, e sua maior receita trimestral em mais de uma década. Os resultados reforçam o avanço do plano de reestruturação liderado pela CEO Jane Fraser, que promove cortes de custos e foco em áreas mais rentáveis.
O Wells Fargo apresentou lucro de US$ 5,3 bilhões, alta de 7%. A carteira de empréstimos ultrapassou US$ 1 trilhão, marco simbólico após o fim de restrições regulatórias. Apesar do resultado positivo, a instituição expressou preocupação com os efeitos indiretos da guerra sobre os consumidores, com aumento dos preços de combustíveis elevando os gastos das famílias americanas com gasolina entre 25% e 30%.
O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, afirmou que a economia dos Estados Unidos permanece resiliente, apesar de um ambiente mais complexo. Ele destacou que os gastos com energia representam cerca de 3% do orçamento médio das famílias, limitando o impacto imediato da alta do petróleo.
O comportamento do petróleo continua sendo um dos principais termômetros do impacto econômico da guerra. Após atingir picos próximos de US$ 100 por barril, os preços recuaram com a perspectiva de negociações diplomáticas, mas seguem elevados em relação ao período pré-conflito. Esse cenário tem efeitos diretos sobre as expectativas de juros.
Embora os resultados do 1º trimestre reforcem a capacidade dos grandes bancos de lucrar em momentos de crise, analistas alertam que o cenário permanece frágil. Uma deterioração mais intensa da economia global ou uma escalada militar mais ampla pode reduzir a atividade financeira e afetar o crédito.

