O mercado acionário de Taiwan ultrapassou o do Reino Unido em valor total, consolidando-se como o sétimo maior do mundo. Esse movimento é impulsionado pela explosão de investimentos em inteligência artificial, que elevou a demanda global por semicondutores avançados.
Segundo dados compilados pela Bloomberg, as empresas listadas em Taiwan somaram cerca de US$ 4,13 trilhões em valor de mercado, superando os US$ 4,09 trilhões do Reino Unido. A virada marca um ponto simbólico na reorganização do poder econômico global, cada vez mais concentrado em tecnologia.
No centro dessa transformação está a TSMC, maior fabricante de chips sob encomenda do mundo. Sozinha, a empresa responde por cerca de 45% de toda a capitalização da bolsa taiwanesa. A companhia registrou lucro líquido recorde no primeiro trimestre, com alta de 58% na comparação anual, alcançando aproximadamente US$ 18 bilhões.
A receita da TSMC também avançou de forma expressiva, refletindo a corrida global por capacidade de processamento para aplicações de IA. A valorização das ações acompanha esse movimento, com os papéis da TSMC acumulando alta próxima de 30% no ano, atingindo máximas históricas.
Analistas classificam o momento como um “superciclo” de tecnologia e inteligência artificial, semelhante a outras grandes ondas de transformação industrial. Empresas como Nvidia, que lideram o desenvolvimento de hardware para IA, dependem diretamente da capacidade produtiva da TSMC.
Esse efeito cascata tem impulsionado não apenas Taiwan, mas também outros polos asiáticos, como a Coreia do Sul, sede de gigantes como Samsung e SK Hynix. A concentração de empresas-chave nesse ecossistema reforça a liderança da Ásia na cadeia global de semicondutores, um setor considerado estratégico tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico.
O avanço de Taiwan também evidencia uma fragilidade estrutural da Europa nos mercados de tecnologia. O FTSE 100, embora em alta moderada no ano, não acompanha o ritmo acelerado das bolsas asiáticas ligadas à tecnologia. Analistas apontam que o Reino Unido e grande parte da Europa têm pouca exposição direta ao boom da inteligência artificial em seus mercados acionários.
Para atender à demanda crescente, a TSMC anunciou que deve ampliar seus investimentos, com gastos de capital previstos de até US$ 56 bilhões em 2026. A empresa busca expandir sua capacidade produtiva diante da pressão de grandes clientes globais. Apesar disso, o setor ainda enfrenta gargalos, com a escassez de chips continuando a ser um risco, especialmente com a aceleração da adoção de tecnologias baseadas em IA.
A ultrapassagem do Reino Unido por Taiwan simboliza uma mudança mais ampla na economia global, em que valor de mercado e influência passam a ser determinados cada vez mais por domínio tecnológico. O episódio reforça a centralidade dos semicondutores na economia do século 21, um ativo estratégico comparável ao petróleo em ciclos anteriores.


