Os Estados Unidos utilizaram bombardeiros B-52 para sobrevoar o espaço aéreo do Irã pela primeira vez desde o início da guerra. A informação foi confirmada pelo Departamento de Guerra nesta terça-feira, 31 de março de 2026.
O uso do B-52, considerado uma das armas mais mortais das forças americanas, demonstra o enfraquecimento das defesas aéreas do Irã, segundo o jornal The New York Times. Apesar de sua potência, o B-52 não é tão ágil quanto caças e, por isso, fica mais vulnerável a sistemas antiaéreos.
De acordo com o Pentágono, os bombardeiros serão empregados para atacar cadeias de suprimentos que abastecem instalações de construção de mísseis, drones e navios do Irã. O objetivo é impedir a reposição de munições utilizadas na guerra.
Embora o B-52 tenha capacidade nuclear, não há confirmação de que as forças americanas estejam transportando ogivas nucleares nas operações contra o Irã. O B-52, fabricado pela Boeing, é capaz de voar por mais de 14 mil quilômetros sem reabastecimento e transporta armas de alta precisão.
A produção do B-52 começou na década de 1950, e o bombardeiro continua sendo a espinha dorsal da Força Aérea americana. Ao menos 744 unidades foram produzidas, com a última sendo entregue em outubro de 1962. O modelo foi projetado para transportar armamento nuclear e se tornou um ativo importante dos Estados Unidos durante a Guerra Fria.
O B-52 participou de quase todas as principais operações conduzidas pelos EUA ao longo de mais de 70 anos, incluindo a Guerra do Vietnã, a resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001 e missões contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, em 2016. Também foi enviado ao Caribe durante operações contra o tráfico internacional de drogas.
O modelo possui diferentes variantes, sendo que a versão “H” pode carregar até 20 mísseis de cruzeiro. No geral, o B-52 pode transportar até 32 toneladas de armamento, entre bombas, minas e mísseis. A aeronave tem oito motores e pode voar a até 15 mil metros de altitude, o que a coloca acima da maior parte do campo de batalha.
As Forças Armadas dos EUA afirmam que, atualizado com tecnologia moderna, o B-52 seguirá sendo um elemento importante das defesas do país ao longo do século 21, com previsão de operação até 2050.
O anúncio do uso de B-52 no Irã ocorreu um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhar um vídeo mostrando uma grande explosão em Isfahan, que teria como alvo um depósito de munições. Não está claro se as aeronaves foram responsáveis pela operação divulgada por Trump.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que atacará empresas americanas no Oriente Médio em retaliação a bombardeios recentes que resultaram na morte de cidadãos iranianos. Entre os alvos citados está a Boeing, fabricante do B-52. A organização afirmou que as principais instituições envolvidas em operações terroristas serão alvos legítimos e aconselhou os funcionários a deixarem seus locais de trabalho imediatamente.
Além da Boeing, outras 17 empresas foram listadas como alvos, incluindo gigantes de tecnologia como Tesla, Google e Microsoft.


