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Leitura: Brasil e EUA: Relações estratégicas e desafios comerciais
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Brasil e EUA: Relações estratégicas e desafios comerciais

Amanda Rocha
Última atualização: 23 de abril de 2026 23:24
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

As relações entre Brasil e Estados Unidos possuem uma importância estratégica histórica para ambos os países. Recentemente, o governo de Donald Trump declarou a América Latina como uma zona preferencial para a atuação do interesse nacional americano, o que inclui o processo de reindustrialização dos Estados Unidos.

Atraindo investimentos industriais para o hemisfério, os EUA buscam garantir suprimentos de países próximos e aliados, além de conter a expansão chinesa na região, considerada uma área de influência americana. O crime organizado transnacional também foi declarado uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

O Brasil é central nesses três aspectos, devido ao seu tamanho, população e capacidade produtiva e financeira. O país mantém uma parceria significativa com a China, sendo um dos poucos com superávit comercial com os chineses, que fornecem produtos essenciais como soja, petróleo, minérios e carnes. Além disso, o Brasil recebe investimentos industriais e comerciais da China, fortalecendo a relação na área da defesa.

No setor militar, a participação dos Estados Unidos tem diminuído ao longo do tempo, enquanto o interesse pela compra de equipamentos de Pequim tem aumentado. Nesse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem transformado a relação de interesses entre Brasil e EUA em um tipo de duelo retórico, aproveitando visitas à Europa para criticar Trump e os Estados Unidos.

O presidente brasileiro parece buscar provocar reações do americano, e em ocasiões anteriores, essa estratégia resultou em uma melhora na performance de Lula junto à população e em seu potencial eleitoral. Contudo, a relação entre os países é permanente e continuará.

Atualmente, o aspecto mais relevante no vínculo entre Brasil e Estados Unidos é o comércio e as tarifas. Atualmente, metade dos produtos brasileiros está isenta de taxas de importação para o mercado americano, enquanto cerca de 12% enfrentam um imposto de 10%, além de tarifas específicas relacionadas à segurança nacional, como as de aço e alumínio.

Se o Brasil evitar provocações excessivas, pode ser que na revisão tarifária prevista para julho, não enfrente imposições que prejudiquem o comércio. No entanto, se o governo brasileiro continuar a provocar os Estados Unidos, poderá receber tarifas que inviabilizem as trocas comerciais, o que não seria benéfico para os produtores, a população brasileira e, especialmente, para o presidente Lula.

Portanto, é crucial que o Brasil mantenha atenção nesse momento, evite provocações e trate o tema de forma técnica e politicamente estratégica. O que está em jogo é a hegemonia global e a dominância regional, e uma pauta permanente da sociedade brasileira deve ser pleiteada junto às autoridades americanas. A relação é estratégica e de longo prazo, independentemente do governo em exercício, com Brasil e Estados Unidos mantendo interesses, investimentos, comércio e tecnologia lado a lado.

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