O Ministério da Defesa formalizou, por meio de portaria publicada em março, o modelo G2G, que visa impulsionar as exportações de produtos de defesa. O G2G, sigla em inglês para acordos de governo para governo, é utilizado principalmente em indústrias sensíveis, como a de defesa.
Mesmo com a participação de empresas privadas, a negociação é conduzida diretamente pelo governo do país fornecedor. Esse modelo fortalece relações diplomáticas, com o governo representando a empresa vendedora atuando como ‘garantidor’, supervisionando a entrega dos produtos. Potências militares como EUA e França utilizam amplamente esse modelo.
A norma publicada estabelece como o ministério poderá atuar em operações de exportação e prestação de serviço de interveniência técnica relativas a produtos de defesa produzidos no Brasil, por intermédio de empresas estatais vinculadas. A portaria cria um rito para que um ente público estrangeiro manifeste interesse em importar um produto de defesa brasileiro.
Esse governo estrangeiro poderá indicar a estatal vinculada para a operação ou solicitar que o ministério faça essa indicação. A manifestação deve ser formalizada por ofício, carta, e-mail ou outro instrumento idôneo, dirigida ao secretário de Produtos de Defesa.
A medida representa a materialização de uma estratégia discutida dentro do governo. Em setembro de 2025, foi noticiado que o Ministério da Defesa estudava adotar o modelo G2G para ampliar as vendas externas do setor, devido à interpretação jurídica de que a legislação brasileira não permitia que o governo representasse diretamente empresas privadas nesse tipo de negociação.
A nova portaria confirma essa lógica, permitindo que a estatal atue como canal institucional, enquanto a empresa privada permanece como fabricante e fornecedora do produto. A portaria também estabelece salvaguardas, deixando claro que a indicação de uma estatal não é vinculante para o governo estrangeiro e que a participação da estatal depende de sua anuência.
O setor vê o arranjo como uma aproximação das práticas de grandes exportadores de defesa, onde a venda é negociada em ambiente estatal. Em abril, durante a Fidae no Chile, o ministério assinou memorandos de entendimento com a Alada, EMGEPRON e IMBEL para fomentar operações de exportação de produtos de defesa no modelo G2G.
O secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, afirmou que os instrumentos visam viabilizar vendas de empresas privadas a governos amigos, conferindo credibilidade institucional às negociações. O movimento ocorre em um momento de forte expansão das exportações do setor, com o Brasil somando US$ 1,02 bilhão em exportações autorizadas no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro dos US$ 457 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Atualmente, o Brasil comercializa produtos de defesa para 148 países, por meio de cerca de 93 empresas exportadoras.


