A montadora chinesa de carros elétricos BYD foi retirada da chamada ‘lista suja’ do trabalho escravo nesta quinta-feira (9). A decisão ocorre após a inclusão da empresa na atualização mais recente do cadastro, divulgada pelo governo federal na segunda-feira (6), que adicionou cerca de 169 novos empregadores, incluindo o cantor Amado Batista.
Com a exclusão da BYD, o total de nomes na lista caiu para 612, sendo 102 pessoas físicas e 66 pessoas jurídicas. A ‘lista suja’ é um documento público divulgado semestralmente pelo Ministério do Trabalho, que visa dar visibilidade às ações de combate ao trabalho escravo.
A inclusão da BYD no cadastro ocorreu após o resgate de 220 trabalhadores chineses em dezembro de 2024, que estavam em condições inadequadas em alojamentos e eram vigiados por seguranças armados. Os passaportes dos trabalhadores eram retidos e os contratos apresentavam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas.
O Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) identificou irregularidades e um dos trabalhadores relatou um acidente devido ao cansaço. A BYD, por sua vez, informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades, levando ao término do contrato.
No final de 2025, o MPT-BA firmou um acordo de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão. A montadora reafirmou seu compromisso com os direitos humanos e se manifestou nos autos da ação.
A retirada da ‘lista suja’ ocorre após a conclusão do processo administrativo, e os empregadores podem ser retirados ou não incluídos caso assinem um termo de ajustamento de conduta. A ‘lista suja’ foi criada em 2004 e enfrentou impasses em governos anteriores, mas sua constitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde a criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão, e mais de R$ 160 milhões em verbas salariais foram assegurados aos trabalhadores.

