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Cachorro é morto a tiros em Santarém e moradores denunciam maus-tratos

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de abril de 2026 15:47
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Na comunidade de Piracãoera de Cima, em Santarém, no oeste do Pará, moradores relatam uma série de maus-tratos contra animais. O episódio mais recente ocorreu na noite de quarta-feira, 8 de abril de 2026, quando um cachorro foi morto a tiros.

De acordo com relatos de moradores, disparos foram ouvidos por volta das 20h. Na manhã seguinte, o animal foi encontrado morto, o que gerou revolta e um sentimento de insegurança na comunidade. O tutor do animal, Manuel Joelson Cardoso, suspeita que os disparos estejam relacionados ao uso irregular de armas na região. Ele afirmou:

““Essas pessoas utilizam armas, principalmente espingardas. Pode ser até para cometer assaltos, ameaçar. O cachorro, quando vê alguém estranho, reage, e pode ter sido por isso que atiraram nele.””

Além da hipótese de intimidação, moradores levantam a possibilidade de que os ataques contra animais estejam ligados a desavenças pessoais.

““Tem gente que não resolve problema com a pessoa e acaba descontando no animal, como forma de vingança,””

disse Joelson. A comunidade denuncia que outros casos semelhantes já ocorreram, incluindo maus-tratos a animais de grande porte, como bois.

Os moradores pedem uma atuação mais rigorosa das autoridades policiais.

““Isso já vem acontecendo há algum tempo. A gente pede apoio, porque não está certo. Hoje são os animais, amanhã pode ser uma pessoa,””

alertou o tutor. O comandante da 1ª Companhia de Policiamento Ambiental, major Luiz Vanderlei, orienta que, em casos de flagrante, a população deve acionar a polícia pelo 190 ou procurar um posto policial mais próximo. Situações recorrentes devem ser levadas à Polícia Civil.

A recomendação é reunir o máximo de provas possível, como fotos, vídeos, identificação de suspeitos e testemunhas, para auxiliar nas investigações. O Policiamento Ambiental ressalta que maus-tratos não se resumem a agressões físicas, mas incluem negligência, como falta de alimentação e água, exposição excessiva ao sol e condições inadequadas de higiene e abrigo.

A legislação brasileira prevê punições mais rigorosas para crimes de maus-tratos contra cães e gatos. Desde 2020, a pena passou de detenção para reclusão, podendo chegar a até cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda do animal. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Pará apontam um crescimento desse tipo de crime, com cerca de 278 ocorrências registradas em 2020, saltando para aproximadamente 1.700 em 2022. Somente entre janeiro e fevereiro deste ano, 288 ocorrências foram registradas, resultando em nove prisões.

Casos de violência contra animais também foram registrados em municípios vizinhos. Em Monte Alegre, um cachorro teve duas patas quebradas após ser atropelado, e o motorista fugiu. Em Óbidos, um homem foi flagrado empurrando um cão de uma passarela, causando fratura no animal, e arcou com os custos do tratamento. As autoridades reforçam que a denúncia é fundamental para combater esse tipo de crime e responsabilizar os envolvidos.

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