No dia 31 de março de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o trânsito em julgado do Caso Evandro, mantendo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reconheceu a inocência dos quatro suspeitos condenados pelo crime contra Evandro Ramos, de 6 anos, encontrado morto em Guaratuba, Paraná, em 1992.
Com a decisão do STF, não cabe mais recurso, encerrando oficialmente o processo, que permanece sem solução. Em 2020, fitas reveladas pelo jornalista Ivan Mizanzuk mostraram que Beatriz Abagge, Davi dos Santos Soares, Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula Ferreira, condenados pela morte de Evandro, foram torturados para confessar o crime.
As investigações iniciais sugeriram que Beatriz Abagge, filha do então prefeito Aldo Abagge, e sua mãe, Celina Abagge, teriam encomendado a morte do menino em um ritual, levando-as a serem conhecidas como as “bruxas de Guaratuba”. No primeiro julgamento, em 1998, Beatriz e Celina foram inocentadas por falta de provas.
Entretanto, um segundo julgamento em 2011 resultou na condenação de Beatriz a 21 anos de prisão, sendo apontada como mandante do crime. Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula cumpriram toda a pena, enquanto Vicente faleceu na prisão em 2011 devido a problemas de saúde.
Em setembro de 2025, a 6ª Turma do STJ rejeitou um recurso do Ministério Público do Paraná contra a decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, que absolveu Osvaldo, Davi e Beatriz. O ministro Sebastião Reis Júnior afirmou que não compreendia os motivos do recurso, uma vez que o Estado do Paraná já havia reconhecido o erro judiciário e a tortura na obtenção das confissões.
O caso de Evandro Ramos Caetano, que desapareceu em 6 de abril de 1992, chocou a sociedade. Seu corpo foi encontrado dias depois em um matagal, com sinais de brutalidade. O assassinato gerou uma rápida caçada, e em julho daquele ano, sete pessoas confessaram ter cometido o crime em um ritual satanista para “abrir os caminhos políticos” de Aldo Abagge.
Apesar das confissões, os condenados alegaram que foram forçados a confessar sob tortura. O caso ganhou nova atenção em 2020 com o podcast O Caso Evandro, de Ivan Mizanzuk, que se desdobrou em um livro e na série O Caso Evandro — O Crime, disponível no Globoplay.


