Um grupo hacker pode ter roubado um enorme conjunto de dados sensíveis de um supercomputador estatal chinês. O incidente, reportado na madrugada desta quarta-feira (8), é considerado o maior roubo de dados já registrado na China.
O conjunto de informações, que contém mais de 10 petabytes, acredita-se ter sido obtido do Centro Nacional de Supercomputação (NSCC) em Tianjin. Este centro fornece serviços de infraestrutura para mais de 6.000 clientes em todo o país, incluindo agências de ciência avançada e de defesa.
Profissionais em segurança cibernética que analisaram amostras dos dados roubados publicadas online afirmam que o hacker conseguiu acessar o computador com facilidade. A extração ocorreu em grandes quantidades ao longo de vários meses sem ser detectada.
Uma conta chamada FlamingChina publicou uma amostra do suposto conjunto de dados em um canal anônimo do Telegram em 6 de fevereiro, alegando que continha “pesquisas em diversas áreas, incluindo engenharia aeroespacial, pesquisa militar, bioinformática, simulação de fusão e muito mais”. O post afirma que as informações estão ligadas a “organizações de alto escalão”, como a Corporação da Indústria de Aviação da China e a Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa.
Especialistas em segurança cibernética afirmam que os intrusos estão oferecendo uma prévia limitada do conjunto de arquivos por milhares de dólares, com o acesso completo chegando a centenas de milhares de dólares, solicitado em criptomoedas. A CNN não conseguiu verificar a origem do suposto conjunto de dados, mas conversou com profissionais cuja avaliação inicial confirmou sua autenticidade.
As amostras incluem documentos marcados como “secretos” em chinês, arquivos técnicos, simulações animadas e renderizações de equipamentos de defesa. Dakota Cary, consultor da empresa de cibersegurança SentinelOne, comentou que a variedade de amostras demonstra a ampla gama de clientes do NSCC.
O centro de Tianjin, inaugurado em 2009, é um dos vários polos de supercomputação na China. Marc Hofer, pesquisador de segurança cibernética, destacou que o tamanho do conjunto de dados o tornaria atraente para serviços de inteligência estatais adversários.
Hofer também contatou um suposto hacker que afirmou ter acessado o supercomputador por meio de um domínio VPN comprometido. O invasor implantou uma “botnet” para extrair e armazenar os dados, processo que levou cerca de seis meses. Cary observou que a abordagem do hacker não foi particularmente inovadora, mas eficaz.
A suposta violação aponta para uma vulnerabilidade na infraestrutura tecnológica da China, que já enfrentou problemas de segurança cibernética. Em 2021, um banco de dados online com informações pessoais de até um bilhão de cidadãos chineses ficou desprotegido por mais de um ano. O governo chinês reconheceu a fragilidade da segurança cibernética e listou a construção de “barreiras de segurança robustas” como prioridade no Livro Branco de Segurança Nacional de 2025.


