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Chefe da Polícia Civil do Espírito Santo pede exoneração após denúncia na PF

Amanda Rocha
Última atualização: 3 de abril de 2026 12:40
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O delegado chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda, pediu exoneração do cargo na manhã desta sexta-feira, 3 de abril de 2026. A informação foi confirmada pelo governador Ricardo Ferraço em uma publicação nas redes sociais.

Segundo o texto do governador, o afastamento ocorreu por “razões de saúde e pela iminente publicação de sua aposentadoria”. Ferraço também expressou reconhecimento e agradecimento pelo trabalho de Arruda ao longo dos anos, destacando que sua atuação contribuiu para fortalecer a Polícia Civil e para os resultados na redução da criminalidade no estado.

O pedido de exoneração foi feito logo após Arruda ser denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação à testemunha. A notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, que também citou outros crimes, como denunciação caluniosa, abuso de autoridade, prevaricação e obstrução de investigação de organização criminosa. Alberto já prestou depoimento em uma investigação federal, e o material foi enviado ao Ministério Público do Espírito Santo.

Arruda nega as acusações. Em entrevista ao programa Fantástico, Alberto confirmou informações de um criminoso que apontou um policial civil como “o maior traficante do Espírito Santo”. Antes da exibição da reportagem, Arruda anunciou nas redes sociais que Alberto seria investigado pela Corregedoria da Polícia Civil, afirmando que a corporação desconhecia as informações repassadas à Polícia Federal.

Uma investigação interna foi formalizada na sexta-feira, 27 de março, com um comunicado assinado por Arruda e enviado ao corregedor-geral Roberto Fanti de Resende, solicitando a apuração das medidas adotadas por Alberto. O delegado Alberto, por sua vez, afirmou que a notícia-crime enviada à PF caracteriza a ação de Arruda como retaliação, comprometendo a segurança de testemunhas e apontando quebra de sigilo.

A investigação está relacionada à Operação Turquia, conduzida pelo Gaeco do MPES em conjunto com a Polícia Federal, que apura a atuação de policiais do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) e de traficantes ligados a facções criminosas, suspeitos de desvio e comercialização de armas e drogas apreendidas.

Entre os investigados está o policial Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Dudu, que é apontado como o maior traficante do Espírito Santo. Indícios de irregularidades envolvendo Eduardo foram comunicados à Corregedoria desde 2017.

Em nota, Arruda afirmou que não tentou coagir o delegado, mas que a intenção foi convidá-lo a apresentar documentos citados no depoimento à Polícia Federal. Arruda também solicitou à Corregedoria o levantamento de investigações envolvendo Eduardo Tadeu e o desarquivamento de documentos antigos, afirmando que não conhecia o policial pessoalmente. O delegado Alberto e o advogado Fábio Marçal não comentaram o caso, assim como a defesa de Eduardo Tadeu.

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