As importações de cebolas estrangeiras no Brasil devem aumentar a partir de abril de 2026. Contudo, as fortes chuvas e alagamentos na Argentina podem alterar esse cenário, favorecendo o Chile nas importações para o mercado brasileiro.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), de Piracicaba (SP), informou que os alagamentos na Argentina comprometeram tanto o volume quanto a qualidade das colheitas destinadas à exportação. A Argentina é a principal fornecedora de cebolas ao Brasil, conforme dados do Hortifrúti/Cepea.
No curto prazo, a expectativa é que produtores e exportadores chilenos ocupem o espaço deixado pela Argentina, que atualmente responde por 73% das importações brasileiras de cebola, enquanto o Chile representa 27%.
As importações brasileiras de cebola totalizaram pouco mais de 23 mil toneladas em março de 2026, um aumento de 22,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Apesar do volume ainda ser considerado baixo, a expectativa é de crescimento a partir deste mês, quando a oferta nacional e a qualidade dos produtos começam a diminuir.
No início de abril, a qualidade da safra de cebolas de Irecê (BA) e do Vale do São Francisco (BA/PE) estava abaixo do esperado, devido às chuvas de fevereiro e março, o que também aumentou o descarte. O ritmo de semeadura da safra de 2026 em Irecê estava mais acelerado do que no Vale do São Francisco, onde as precipitações foram menores, resultando em menos atrasos.
Para atender à demanda local, cebolas do Sul do País estavam sendo adquiridas para comercialização no Nordeste. O Cepea monitora semanalmente os preços da cebola amarela e vermelha desde 2000, considerando o quilograma para produção e a saca de 20 kg para beneficiamento e atacado.
Em Irecê, a saca da cebola amarela chegou a R$ 80, enquanto no Vale do São Francisco o valor atingiu R$ 85 em abril.


