Ciclovias que começam e terminam sem ligação com outros trechos têm se tornado um problema recorrente para ciclistas no Rio de Janeiro. Em diversas regiões da cidade, há pistas que acabam abruptamente, forçando ciclistas a seguir pela rua, entre os carros, ou pela calçada, o que é proibido.
Na Rua Marquês de Pombal, no Centro, um trecho de ciclovia não se conecta a nenhuma outra via cicloviária. O espaço delimitado para bicicletas começa e termina na própria rua, sem continuidade. Além disso, a faixa de estacionamento, afastada da calçada, compromete a visibilidade de motoristas que tentam acessar a Rua Irineu Marinho, aumentando o risco de acidentes.
Outros exemplos de descontinuidade foram identificados em pontos como a Rua Humaitá, onde a ciclovia termina em um muro, e a Rua General Polidoro, em frente ao Cemitério São João Batista, onde o trajeto acaba em um cruzamento. Em Copacabana, na Rua Xavier da Silveira, a ciclovia começa na Rua Pompeu Loureiro, passa por um trecho estreito e termina na esquina com a Avenida Atlântica, sem ligação com a ciclovia da orla.
Em Ipanema, na Rua Maria Quitéria com a Rua Prudente de Moraes, a faixa exclusiva também termina antes de alcançar a ciclovia da praia. Na Rua General Garzon, entre o Jardim Botânico e a Avenida Borges de Medeiros, o trajeto termina na calçada, sem sinalização para travessia até a ciclovia da Lagoa, obrigando o ciclista a seguir pela rua até um semáforo distante ou retornar pela calçada.
Além da falta de conexão, ciclistas relatam problemas como veículos estacionados ou circulando em faixas exclusivas, buracos, falhas de sinalização e pouca fiscalização. Especialistas apontam que a descontinuidade da malha cicloviária compromete a segurança. Leandro da Rocha Vaz, professor de Estradas e Transportes da Uerj, sugere medidas para reduzir conflitos no trânsito.
““Na Ponte Rio-Niterói, limitaram o horário da movimentação de caminhões para diminuir a concorrência com os veículos. Uma sugestão seria limitar os autopropelidos nos horários de rush e estabelecer rotas seguras em ruas mais largas”, propôs.”
A ampliação da malha cicloviária é uma promessa antiga da Prefeitura do Rio. Em 2023, foi lançado o Plano de Expansão Cicloviária, o CicloRio, com a meta de alcançar 1.000 quilômetros de ciclovias até 2033. A prefeitura informou que pretende implantar mais 600 km de faixas exclusivas, além dos cerca de 487 km existentes.
Dados mais recentes da CET-Rio indicam que a cidade tem atualmente 501,86 km de infraestrutura cicloviária, com um crescimento de 13,15 km entre 2023 e 2025. Procurada, a CET-Rio informou que as conexões estão sendo reavaliadas e que a implantação de ciclovias depende de fatores como dimensões das vias, fluidez do tráfego, uso do entorno, segurança, drenagem e pavimentação.
A Prefeitura do Rio afirmou que o plano de expansão segue em andamento e que a meta atual é ampliar a rede em 50 quilômetros até 2028. Questionada sobre a atualização do plano para incluir bicicletas elétricas, não houve retorno.


