Um grupo de voluntárias em Salto, São Paulo, está promovendo acolhimento através do projeto ‘Colo do Bem’. A iniciativa, que completou um ano, confecciona e doa capas coloridas para bolsas de ostomia, beneficiando pacientes da Associação Brasileira de Assistência às Pessoas com Câncer (Abrapec) e ajudando a devolver a autoestima e o conforto a quem enfrenta essa condição.
O trabalho começa em silêncio, com o som da máquina de costura. As voluntárias riscam o molde do tecido com cuidado e, em seguida, costuram as partes da capa, unindo não só o tecido, mas também histórias. Na última etapa, cada detalhe é finalizado e embalado com carinho para quem irá receber.
O projeto foi idealizado pela artesã Maura Cruz, que utilizou o estoque de tecidos de seu antigo ateliê. Atualmente, o grupo se reúne semanalmente e produz cerca de 20 capas por dia, em um processo que une histórias e tecidos. ‘Como eu tinha muito tecido por conta do meu ateliê que eu precisei fechar, eu fui atrás dessa ideia para ver como que era feito, como que era utilizado. E a partir desse momento, eu conheci as meninas e elas acabaram abraçando essa ideia comigo’, explica Maura.
Para as voluntárias, o trabalho vai além da costura. ‘O objetivo é deixar a pessoa, que está em uma situação não muito agradável, um pouco mais confortável, podendo guardar a bolsinha numa capa produzida com muito amor e dedicação’, relata a voluntária Fabiana Inácio.
A ostomia é um procedimento cirúrgico que cria um novo caminho no corpo para a eliminação de fezes ou urina, podendo ser necessário em casos de câncer, Doença de Crohn, traumas e outras condições de saúde. No Brasil, estima-se que existam cerca de 400 mil pessoas ostomizadas.
A falta de informação sobre a ostomia frequentemente leva ao preconceito, isolando os pacientes. A enfermeira Vanessa Araújo destaca a importância de iniciativas como o ‘Colo do Bem’. ‘Existem muitos tabus e mitos por falta de conhecimento. Projetos como esse são importantíssimos para estimular a reintegração social, a autoestima e o autocuidado dessas pessoas’, afirma.
A Abrapec ressalta que o impacto das doações é direto no bem-estar psicológico dos pacientes, destacando que a elevação da autoestima é um fator importante na resposta ao tratamento oncológico, ajudando os assistidos a se sentirem acolhidos e menos isolados durante a recuperação.

