Cerca de 47% das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras relatam aumento na pressão dos custos nos últimos 12 meses, conforme levantamento da Serasa Experian, divulgado nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026. O estudo indica que apenas 23% das PMEs não perceberam um aumento significativo nos custos durante esse período.
A taxa Selic está em 14,75%, após um corte realizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em março, a primeira redução desde maio de 2024. Cleber Genero, vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian, destaca que, apesar das expectativas de novos cortes na taxa, o nível ainda é elevado e as barreiras para o crédito permanecem altas, dificultando o acesso ao capital de giro e reduzindo a flexibilidade financeira das empresas.
“Esse contexto dificulta a absorção dos aumentos de custos ao longo da operação. Quando combinado às pressões já observadas em insumos, folha, tributos e despesas correntes, o resultado tende a ser uma compressão mais intensa das margens, especialmente entre empresas de menor porte, que têm menos escala e menor capacidade de repasse”, afirmou Genero.
O levantamento também revela que 49% das empresas enfrentam redução na lucratividade, sendo 26% com queda significativa e 23% com impacto parcial. Apenas 14,7% conseguiram aumentar a margem por meio do repasse de preços, evidenciando a dificuldade das empresas em transferir os aumentos de custos ao consumidor final.
As despesas operacionais, principalmente com insumos, folha de pagamento, tributos e aluguel, têm pressionado o caixa das empresas, enquanto a capacidade de repassar esses aumentos ao consumidor continua limitada. Genero ressalta que a alta de custos é um dos principais desafios para os pequenos negócios, que possuem menor capacidade de absorver ou repassar essas pressões.
“Os dados mostram que estamos diante de um cenário de compressão de margens, em que o aumento de despesas não é acompanhado, na mesma proporção, pela capacidade de reajuste de preços”, concluiu.

