O comandante do navio africano que ficou à deriva no Oceano Atlântico por quase dois meses faleceu na última quinta-feira (9) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Praia do Futuro, em Fortaleza. Ele tinha 68 anos e era natural de Gana, segundo informações da Secretaria de Direitos Humanos (Sedih).
Jamina Teles, porta-voz do Programa Estadual de Atenção ao Migrante, Refugiado e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Sedih, informou que a tripulação foi comunicada sobre a morte do comandante por psicólogos. O homem chegou a Fortaleza com um quadro de saúde debilitado e confusão mental após o longo período em alto-mar.
Antes de o navio ser rebocado para o porto da capital cearense pela Marinha do Brasil, o comandante foi substituído devido à sua condição de saúde. A Sedih está tentando contatar a família do comandante para informá-los sobre o falecimento e tomar as providências necessárias para o translado do corpo.
Além disso, Jamina revelou que um tripulante holandês retornou ao seu país de origem esta semana. O restante da tripulação, composta por oito ganeses e um albanês, permanece a bordo do navio, aguardando o conserto da embarcação.
“Nós oferecemos abrigo para a tripulação, mas eles optaram por ficar todos juntos. Eles estão aguardando o conserto da embarcação”, destacou Jamina. A ajuda para repatriação dos tripulantes também foi recusada, e técnicos da empresa responsável devem chegar ao Brasil para resolver os problemas do navio.
O navio, que ficou à deriva por 61 dias, foi rebocado para o Porto de Fortaleza em 27 de março. Ele partiu do Senegal com destino a Guiné-Bissau, onde seriam feitas atualizações documentais. A viagem deveria durar cerca de 48 horas.
O capitão do navio, John Wesley Stuart, relatou que a embarcação teve um problema hidráulico após deixar o Porto de Dacar e enfrentou dificuldades de comunicação. O resgate foi realizado pela Marinha do Brasil, que enviou navios para avaliar a situação da tripulação e prestar apoio.
A Secretaria de Direitos Humanos do Ceará acompanhou o atendimento dos tripulantes na UPA da Praia do Futuro, onde foram atendidos com condições mínimas de higiene e alimentação. Jamina Teles afirmou que os tripulantes apresentavam problemas de saúde, incluindo hipertensão e diabetes, e receberam assistência médica e alimentação durante o feriado.

