O etarismo é um preconceito que ocorre dentro do consultório, um espaço que deveria ser acolhedor. Na coluna de domingo, foram abordados dois casos de mulheres mais velhas cuja atividade sexual foi ignorada ou considerada inapropriada. Contudo, o preconceito não se limita à sexualidade.
Conforme envelhecemos, nossa voz parece ser gradualmente desconsiderada. O que dizemos pode ser descartado ou desqualificado. Muitas vezes, ao notar algo em seu corpo, a paciente pesquisa e prepara perguntas, mas o médico pode intervir rapidamente com frases como: “Isso é apenas o envelhecimento normal” ou “Eu não me preocuparia com isso”.
Essa situação gera sentimentos de vergonha e a vontade de se desculpar, como se a paciente não tivesse o direito de perguntar. Ser ignorado por um médico é frustrante e desestabilizador, especialmente para as mulheres, que são educadas a ceder e a serem “boas pacientes”, o que geralmente implica em silêncio e concordância.
É fundamental que a paciente busque seu ponto de equilíbrio. Respirar e lembrar que está em um momento de desconforto, e não em perigo, é essencial. A maioria dos médicos que atendem na rede pública ou em planos de saúde tem cerca de 15 minutos por paciente, mas isso não justifica a desconsideração das perguntas.
Quando uma dúvida é ignorada, insistir em entender melhor é uma forma de recuperar a própria voz. Para facilitar esse processo, recomenda-se que a paciente se prepare antes da consulta, escrevendo suas dúvidas e preocupações. Estar organizada aumenta as chances de ser ouvida.
Utilizar frases que convidem à explicação, como: “Isso é relevante para mim” ou “Você pode me ajudar a compreender melhor?”, pode ajudar na comunicação. Além disso, é importante refletir se está sendo tratada com respeito. Se a escuta for inexistente, considerar procurar outro médico ou adicionar especialistas à equipe pode ser uma boa alternativa.
Confiar na própria experiência é crucial, pois a paciente habita seu corpo há décadas e esse conhecimento é valioso.


