A Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis inicia hoje, 24 de abril de 2026, em Santa Marta, na Colômbia, e se estende até o dia 29 de abril. O evento reúne representantes de mais de 60 países, além de cientistas, organizações da sociedade civil, sindicatos e o setor privado.
O encontro é organizado pela Colômbia e pela Holanda, com a participação do Brasil, Austrália, Canadá, Noruega, Angola, México, Alemanha, França e Reino Unido, entre outros. No entanto, os maiores produtores de combustíveis fósseis, como Estados Unidos, China, Arábia Saudita e Rússia, não estarão presentes.
A conferência surge como uma resposta à frustração acumulada em quase três décadas de negociações climáticas da ONU, onde países produtores de petróleo frequentemente bloqueiam acordos. Anna Cárcamo, especialista em política climática do Greenpeace Brasil, afirmou:
“”Santa Marta pode fortalecer uma coalizão de países comprometidos com a transição energética justa para que a pauta avance por meio de cooperação internacional.””
As discussões na conferência estão organizadas em três eixos principais. O primeiro aborda como países dependentes do petróleo e gás podem se comprometer com uma saída ordenada desses recursos sem comprometer suas economias. O segundo eixo discute a transformação da oferta e da demanda de energia, incluindo subsídios aos combustíveis fósseis e a expansão das energias renováveis. O terceiro eixo foca na cooperação internacional e em questões jurídicas que afetam políticas climáticas.
Um Painel Científico para a Transição Energética Global será lançado durante o evento, coordenado por Johan Rockström e Carlos Nobre, que produzirá recomendações para os governos sobre planos nacionais de saída dos combustíveis fósseis.
Embora a conferência não produza um tratado ou decisões vinculativas, espera-se que um relatório com os resultados dos debates seja elaborado e entregue nas semanas seguintes. Esse documento servirá para o Brasil, que preside a COP30, na elaboração de um mapa do caminho global para a transição dos combustíveis fósseis, com entrega prevista até a COP31, em novembro de 2026, na Turquia.
Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima, destacou o potencial do encontro, mas também a fragilidade do vínculo com as negociações formais:
“”Não tem nada dizendo que a COP31 tem que recepcionar esse relatório, tem que considerar, tem que incorporar, nada.””
Para Cárcamo, a realização da conferência representa uma mudança significativa:
“”Gerir a eliminação dos combustíveis fósseis de forma que nenhum país fique em desvantagem exigirá cooperação internacional. É aqui que Santa Marta pode ser um ponto de virada.””


