O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) votará nesta terça-feira (7) uma resolução que autoriza o uso da força no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio à guerra com Israel e os Estados Unidos.
A resolução estipula que países podem usar “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito, um dos grandes pontos de tensão da guerra no Oriente Médio. Caso aprovada, a medida será o primeiro aval da ONU ao uso da força na guerra no Oriente Médio.
A votação ocorre em um dia decisivo no conflito, por conta do ultimato dado por Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz. EUA e Israel também intensificaram ataques nesta terça.
A China, que tem poder de veto, já se manifestou contra qualquer autorização do uso da força, embora tenha adotado uma postura neutra na guerra, mostrando alinhamento pragmático com o Irã, de quem é o principal comprador de petróleo. França e Rússia, que também podem barrar votações por serem membros permanentes do conselho, já indicaram oposição à medida.
Na tentativa de um acordo, diplomatas adiaram a votação, inicialmente marcada para esta sexta-feira e depois remarcada para este sábado (4). O Bahrein, país que propôs a resolução, retirou do texto uma referência à aplicação obrigatória da medida.
O esboço final autoriza o uso da força “por um período de pelo menos seis meses (…) e até que o Conselho decida de outra forma”. A última versão do projeto de resolução condena os ataques iranianos contra navios e “encoraja fortemente os Estados” envolvidos a “coordenar esforços, de natureza defensiva e proporcionais às circunstâncias, para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, inclusive escoltando navios mercantes e comerciais”.
O texto também “exige” que o Irã “cesse imediatamente todo ataque contra os navios” que transitam por essa via marítima e “toda tentativa” de impedir a livre navegação. Além disso, indica que o Conselho poderá “considerar outras medidas” contra aqueles que a comprometam.
A guerra no Oriente Médio entrou em um dia decisivo nesta terça-feira (7). A manhã foi marcada por intensos ataques na região, a poucas horas do fim do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Irã reabrir totalmente o Estreito de Ormuz.
Em meio à escalada militar, tanto Trump quanto o Irã renovaram ameaças. O presidente dos EUA afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, caso o regime iraniano não reabra a via marítima.
Antes mesmo de o ultimato expirar, os EUA atacaram a estratégica ilha de Kharg, no Irã, que estoca cerca de 90% de todo o petróleo produzido no país. Israel também anunciou ter feito “amplos ataques” ao redor do território iraniano nesta terça, atingindo pontes, trens, aeroportos e edifícios.
O Irã revidou convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e anunciou que a época ‘de boa vizinhança’ com países do Golfo acabou. Em entrevista à agência Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que o país não vai reabrir Ormuz em troca de “promessas vazias” e ameaçou fechar também a via marítima de Bab el-Mandeb.

