A guerra entre Estados Unidos e Irã pode escalar após o presidente americano, Donald Trump, reiterar suas ameaças de destruir usinas de energia iranianas. Especialistas e ONGs alertam que tais ataques poderiam configurar crimes de guerra.
No domingo (05/04), Trump expressou sua frustração com o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã, afirmando que o país enfrentará a destruição de sua infraestrutura de energia caso não libere a passagem marítima. Em uma publicação na rede Truth Social, ele disse: “Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo de uma vez, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a porra do Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão num verdadeiro inferno – Vocês vão ver! Louvado seja Alá”.
O Irã respondeu rapidamente, indicando que pode retaliar atacando a infraestrutura energética e as usinas de dessalinização dos países do Golfo aliados aos Estados Unidos. O estreito de Ormuz é vital para o comércio global de petróleo e gás natural liquefeito, com aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente passando por essa rota.
Trump afirmou que começaria atacando a “maior” usina do Irã, sem especificar qual. Os Estados Unidos podem considerar atingir usinas termelétricas a gás, já que cerca de 80% da eletricidade iraniana em 2023 foi gerada a partir de gás natural. A usina termelétrica de vapor e gás de Damavand, localizada perto de Teerã, tem capacidade superior a 2.800 megawatts.
A economia iraniana já está profundamente afetada pela guerra, com bazares e centros comerciais vazios. Um ataque às usinas a gás ameaçaria diretamente o fornecimento de energia de milhões de iranianos, resultando em graves consequências, como interrupção de sistemas de resfriamento e aquecimento, além de afetar o abastecimento de água.
Teerã sinalizou que pode atacar usinas de dessalinização na região do Golfo, que são essenciais para o abastecimento de água em países áridos. Uma campanha contra essas estruturas poderia comprometer o abastecimento de água de milhões de pessoas.
De acordo com uma análise do think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o impacto sobre o abastecimento de água dependerá da intensidade dos ataques. Danos a uma única usina de dessalinização poderiam ser compensados, mas ataques a centros de distribuição de água representariam um risco maior.
Especialistas afirmam que ataques intencionais a infraestruturas civis, como usinas de energia, são geralmente proibidos. Erika Guevara-Rosas, da Anistia Internacional, destacou que atacar usinas de energia poderia privar o povo iraniano de direitos humanos básicos, como acesso à água e saúde, além de causar consequências devastadoras, como escassez de alimentos e desemprego em massa.


