A CPI (comissão parlamentar de inquérito) do Crime Organizado se reuniu na manhã de terça-feira, 6 de abril de 2026, para a tomada de depoimentos. O ex-governador Ibaneis Rocha, que teve sua presença facultada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), é considerado pouco provável de comparecer.
A pauta da comissão inclui a oitiva de André de Albuquerque Garcia, secretário Nacional de Políticas Penais, que deve abordar as ações relacionadas ao “domínio territorial das facções dentro das unidades prisionais” do país.
Na última semana, o ministro André Mendonça, do STF, decidiu que Ibaneis não é obrigado a comparecer, fundamentando sua decisão no direito à não autoincriminação. Em março, a CPI havia aprovado a convocação de Ibaneis e do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, após ambos deixarem os cargos.
Antes da convocação, Ibaneis e Castro foram convidados a prestar depoimento, mas não compareceram. Os senadores desejavam ouvir Ibaneis sobre as relações comerciais do escritório de advocacia que ele fundou com entidades investigadas nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto, conduzidas pela Polícia Federal.
A convocação também visa apurar o papel institucional de Ibaneis nas decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB), cujas operações com o Banco Master são objeto central de investigações. Ibaneis deixou o cargo em fevereiro para se candidatar nas eleições deste ano, em meio a um escândalo envolvendo o Banco Master e o BRB.
O Banco de Brasília tentou adquirir o Banco Master, mas a operação foi rejeitada pelo Banco Central. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter se reunido com Ibaneis para discutir a venda do Banco Master ao BRB entre 2024 e 2025.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que protocolou um pedido para prorrogar os trabalhos da comissão por mais 60 dias, que atualmente tem prazo até 14 de abril. A prorrogação depende da aprovação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A comissão busca avançar nas investigações sobre a fraude financeira do Banco Master, especialmente na análise dos documentos obtidos relacionados à “teia de relações revelada pelo caso Master”.

