O comentarista José Eduardo Cardozo e a jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos debateram, na quinta-feira (9), em O Grande Debate, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganha ou perde com os avanços nos processos de Jorge Messias para o STF e a análise do veto ao PL da Dosimetria.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou duas decisões importantes que impactarão o cenário político no final de abril. Ele agendou para o dia 29 a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no STF, e para o dia 30 a análise do veto ao PL da Dosimetria, que foi vetado integralmente por Lula.
Jorge Messias, atual advogado-geral da União, precisará do voto favorável de pelo menos 41 senadores para ter seu nome aprovado. O relator da indicação, Everton Rocha, confirmou que a sabatina ocorrerá pela manhã do dia 29, seguida da votação no plenário no mesmo dia após a conclusão dos trabalhos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Durante o debate, Cardozo analisou que Messias deve ser aprovado na CCJ, afirmando que o governo já possui uma avaliação e uma margem de segurança para a vitória do indicado. Ele destacou:
““Se isso não acontecer, será uma derrota muito significativa para o governo.””
Cardozo ainda reforçou que Messias possui todos os requisitos para ser um bom integrante do STF, afirmando:
““Perderá muito o país se Jorge Messias for rejeitado.””
Ana Amélia Lemos, por sua vez, argumentou que, diante da situação, Lula não “ganha” nem “perde”, mas “empata” o jogo. Ela explicou que, após resistência de Alcolumbre, o presidente conseguiu acolher a indicação de Messias. Lemos destacou que, após a aprovação na CCJ, Messias deve passar pelo plenário do Senado, afirmando:
““É um jogo de cartas marcadas.””
Ela também comentou que Alcolumbre, ao aceitar a recepção de Messias na pauta, incluiu a questão dos vetos à dosimetria, que o governo vetou totalmente. A oposição está armada para derrubar esses vetos. A decisão de Alcolumbre de pautar a sabatina de Messias e a análise do veto à dosimetria simultaneamente é vista como um movimento estratégico.
O PL da Dosimetria, vetado por Lula, poderia beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro. A análise política sugere que há uma negociação em curso: enquanto o governo busca garantir a aprovação de Messias, a oposição articula para derrubar o veto presidencial à dosimetria. Lemos afirmou:
““Na minha avaliação, o saldo de Lula nesse jogo fica empatado pelo que ele teve que conceder para a entrada de Jorge Messias para o STF.””
Cardozo alertou que, se a dosimetria não mantiver o veto do presidente, haverá uma derrota para o governo e para os setores democráticos que acreditam que as decisões sobre tentativas de golpe de Estado devem ser cumpridas. O cenário político para essas votações é considerado incerto e volátil, com fatores como investigações envolvendo o Banco Master podendo influenciar os resultados.


