A discussão sobre a escala 6×1, onde o trabalhador atua seis dias e descansa um, voltou a ser debatida em Mato Grosso. A proposta em análise sugere a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, mudando a atual escala para cinco dias de trabalho e duas folgas semanais, sem redução salarial.
Trabalhadores expressam preocupações sobre a carga horária. Um trabalhador, que preferiu não se identificar, afirmou que a escala atual não permite descanso adequado e que o tempo livre é consumido por tarefas pendentes. Ele relatou ter pedido demissão de um emprego anterior devido a problemas de saúde relacionados ao estresse. “Gostaria que as pessoas que não vivem essa realidade entendessem que nós não estamos na mesma situação”, disse.
A analista comercial Marli Nato Ferreira, de 34 anos, também comentou sobre os impactos da jornada. Ela afirmou que a rotina afeta sua saúde e impede que ela se dedique a cursos profissionalizantes. “A sobrecarga de trabalho é prejudicial à saúde física e emocional”, declarou.
Jovens trabalhadores, como Eduarda Almeida Alves da Silva, de 19 anos, e Gabrielly da Silva Cruz, de 20 anos, relataram que o pouco tempo livre é usado para descansar e estudar. “Sinto que estou sempre cansada e acabo ficando estressada com o trabalho”, comentou Eduarda.
Por outro lado, a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (FACMAT) se opõe à proposta, afirmando que a redução da jornada pode aumentar custos e afetar a competitividade. O presidente da FACMAT, Jonas Alves, destacou que a mudança deve ser analisada com cuidado, considerando os impactos econômicos.
Em contrapartida, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) informou que 47% dos empreendedores não veem impacto negativo na proposta. A pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios indicou que 32% acreditam que a mudança pode ser prejudicial.
A Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) também expressou preocupações sobre o aumento de custos e a redução da produtividade. Um estudo indicou que a mudança poderia elevar os custos da folha de pagamento em R$ 5,1 bilhões.
O presidente do Sindicato do Comércio de Cuiabá, Olavo Dourado Boa Sorte Filho, defendeu a revisão da escala, afirmando que a jornada atual prejudica a qualidade de vida dos trabalhadores. Ele acredita que a mudança pode resultar em maior produtividade e satisfação.
O governo federal planeja enviar um Projeto de Lei ao Congresso Nacional para fixar a jornada em 40 horas semanais. A proposta deve ser analisada em regime de urgência, com prazo de 45 dias para votação na Câmara e no Senado.
O Dr. Rodrigo Brito, psicólogo, destacou que a escala 6×1 pode aumentar os riscos de adoecimento do trabalhador, afetando sua saúde mental e limitações pessoais. Ele enfatizou a importância de um dia a mais de descanso para o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.


