O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, tornando esta terça-feira (7) um dos dias mais tensos da guerra no Oriente Médio. A expectativa é que ele tome alguma medida que sinalize os próximos passos do conflito, como escalar a guerra, tentar um plano de cessar-fogo ou realizar incursões pontuais.
O especialista em Relações Internacionais Vitélio Brustolin avaliou que os rumos da guerra devem ficar mais claros ainda hoje.
““Alguma coisa terá que acontecer, ou Trump terá sua credibilidade ainda mais deteriorada. Ou ele ataca a infraestrutura civil, ou faz incursões pontuais, ou se chega a uma trégua”,”
disse Brustolin.
O especialista Carlos Gustavo Poggio afirmou que a ameaça de Trump ocorre em um momento de forte pressão sobre o governo americano, especialmente pela capacidade de resposta do Irã e pelo controle estratégico do Estreito de Ormuz.
““Com essa guerra, Donald Trump deu ao Irã uma ferramenta de poder que o país não demonstrava disposição de usar antes. Trata-se do controle sobre o acesso ao Estreito de Ormuz, algo que foi ameaçado por décadas, mas nunca efetivamente utilizado. Isso implica influência sobre cerca de 20% do petróleo mundial e, consequentemente, sobre os preços”,”
explicou Poggio.
Os especialistas acreditam que o cenário mais provável não é de escalada total, mas de ações pontuais, devido à resistência interna nos Estados Unidos e aos impactos econômicos globais já provocados pelo conflito. Brustolin destacou que
““a Marinha dos EUA já simulou ataques ao Estreito de Ormuz, mas não posicionou navios caça-minas na região””
, ressaltando que um único ataque a cargueiros poderia inviabilizar a navegação, fortalecendo o Irã.
Poggio acrescentou que
““o cenário mais provável são bombardeios mais pontuais; o restante faz parte da retórica explosiva de Trump, que, se confirmada em maior escala, poderia caracterizar crime de guerra””
.
A guerra no Oriente Médio entrou em um dia decisivo nesta terça-feira (7), com intensos ataques registrados na região. Trump renovou o ultimato ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e, em uma postagem em sua rede social Truth Social, afirmou que
““uma civilização inteira morrerá esta noite””
, referindo-se aos ataques que promete fazer caso o prazo não seja atendido.
Antes mesmo do prazo expirar, os Estados Unidos atacaram a ilha de Kharg, no Irã, que armazena cerca de 90% do petróleo do país, segundo o vice-presidente J. D. Vance. A ilha foi alvo pela segunda vez na guerra, mas sua infraestrutura petrolífera foi poupada. Israel também antecipou ações, anunciando “amplos ataques” em diferentes regiões do território iraniano, atingindo pontes, trens, aeroportos e edifícios.
Explosões foram registradas em Teerã, com uma delas deixando nove mortos, segundo a mídia local. Israel recomendou que a população evite viagens de trem após ataques a ferrovias. O Irã, por sua vez, convocou a população para formar escudos humanos ao redor de instalações estratégicas, afirmando que a fase de “boa vizinhança” com países do Golfo chegou ao fim, indicando que deve intensificar os ataques.


