O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que intensificará os ataques contra o Irã caso não haja um acordo para encerrar o conflito. A afirmação foi feita durante uma entrevista ao Bastidores CNN nesta quinta-feira (2). O professor Lucas de Souza Martins, da Universidade Temple, comentou sobre a declaração, que sugere que os EUA bombardeariam o Irã por mais duas ou três semanas até que o país ‘volte à Idade da Pedra’.
Segundo Martins, essa retórica faz parte de uma estratégia de comunicação voltada para o público doméstico americano. ‘O presidente Trump escolheu embarcar em uma verdadeira guerra de narrativas’, explicou o professor. Ele acrescentou que Trump precisa sinalizar que os Estados Unidos estão ganhando a guerra, o que justifica seu desejo de prolongar o engajamento na região.
Enquanto os EUA afirmam estar próximos de alcançar seus objetivos, o Irã apresenta uma narrativa oposta. ‘Nesse contexto em que ele se coloca, claramente não há qualquer sinal de que o Irã se enfraquece ou pelo menos esteja enfraquecido da forma como coloca o presidente dos Estados Unidos’, destacou Martins.
O professor também mencionou que autoridades iranianas indicam estar prontas para um conflito que poderia se estender por pelo menos seis meses, contradizendo a afirmação americana de que o país estaria próximo de ceder às pressões militares. A instabilidade gerada pelo conflito tem causado desconforto entre os aliados tradicionais dos EUA no Oriente Médio.
Martins observou que, atualmente, os Estados Unidos são percebidos como um aliado que deixou a situação na região instável, afetando diretamente os interesses desses aliados. Ele concluiu que a afirmação de Trump sobre o enfraquecimento do Irã não corresponde ao cenário atual do conflito, tornando incerta qualquer previsão sobre o desfecho desta crise.


