O Brasil registrou um déficit de US$ 6 bilhões nas transações correntes em março de 2026, quase o dobro do resultado do mesmo mês do ano anterior, quando o saldo negativo foi de US$ 2,9 bilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central.
O aumento do déficit foi impulsionado pela redução do superávit comercial e pela ampliação dos gastos com serviços e renda primária, que inclui remessas de lucros, dividendos e pagamento de juros ao exterior.
No acumulado de 12 meses, o rombo nas contas externas chegou a US$ 64,3 bilhões, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB). A balança comercial de bens continuou positiva, mas perdeu força, com o superávit caindo de US$ 7,2 bilhões em março de 2025 para US$ 5,6 bilhões em 2026.
Esse resultado reflete um crescimento acelerado das importações, que avançaram quase 20%, enquanto as exportações tiveram alta de 9,5%. O déficit na conta de serviços aumentou para US$ 4,8 bilhões, influenciado pelo aumento das despesas com tecnologia, transporte e uso de propriedade intelectual, além do crescimento dos gastos de brasileiros no exterior.
As despesas líquidas com viagens internacionais subiram mais de 60% na comparação anual. O déficit em renda primária chegou a US$ 7,4 bilhões, com aumento nas despesas com juros e na remessa de lucros e dividendos para fora do país, refletindo o ambiente de juros elevados e a presença de empresas estrangeiras na economia brasileira.
Apesar do cenário desafiador nas contas externas, o país continuou recebendo investimentos diretos. Em março, entraram US$ 6 bilhões nessa modalidade, valor próximo ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, os investimentos diretos somam US$ 75,7 bilhões, o equivalente a 3,18% do PIB.
Por outro lado, houve saída líquida de US$ 2,9 bilhões em investimentos em carteira no mês, indicando maior cautela dos investidores financeiros diante do cenário global. As reservas internacionais encerraram março em US$ 362 bilhões, com queda de US$ 9,1 bilhões em relação ao mês anterior, impactadas por variações cambiais, de preços e intervenções no mercado.
Além dos números, o Banco Central anunciou uma revisão metodológica nas estatísticas de viagens internacionais, que elevou as receitas desse item nos últimos anos ao incorporar novas formas de registro de gastos de estrangeiros no Brasil.


