A delação do empresário Maurício Camisotti, central no esquema de corrupção no INSS, foi enviada ao gabinete do ministro André Mendonça, no STF, na última segunda-feira, para homologação.
O ministro irá verificar se todos os termos da negociação com a Polícia Federal foram cumpridos, se o delator apresentou novos crimes e provas, e se relatou tudo por livre vontade.
No acordo, Camisotti apresenta documentos e detalha a origem do esquema no INSS, mencionando conexões políticas e o papel de figuras como Roberta Luchsinger, associada a Lulinha, nas negociatas de Antônio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS.
A delação compromete a possibilidade de Careca do INSS escapar de uma condenação severa no STF. Camisotti também menciona políticos do PDT e ministros de Lula que estavam cientes do esquema e não tomaram providências para impedir o roubo.
Um vice-presidente de partido é citado como beneficiário de propinas, assim como outros nomes do INSS durante o governo Lula. O delator ainda revela políticos do Congresso que receberam propina do esquema de descontos ilegais.
Além disso, Camisotti detalha a estrutura empresarial utilizada para lavar o dinheiro desviado, que passava por um renomado escritório de advocacia em São Paulo.
A delação provocou uma corrida entre outros investigados para também delatar. Até Careca do INSS começou a considerar a possibilidade de colaborar, buscando benefícios ao expor o universo político que o protege.

