A presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Silvia Massruhá, defendeu a derrubada do veto ao orçamento da estatal para garantir o avanço das pesquisas no Brasil. Ela afirmou que, apesar da recente recomposição dos recursos, o nível ainda é insuficiente para sustentar o desenvolvimento científico necessário à agricultura brasileira.
“É importante derrubar esse veto no sentido de que a pesquisa agropecuária tem que ser blindada, a ciência e tecnologia, para que a gente possa avançar cada vez mais”, disse Massruhá.
O tema está em discussão na bancada do agro no Congresso Nacional. A FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) articula a derrubada do veto presidencial que atingiu recursos da estatal e do seguro rural, em uma sessão prevista para a próxima semana.
Parlamentares do setor avaliam que os cortes comprometem tanto a inovação quanto a capacidade de mitigação de riscos no campo. Massruhá, que é servidora de carreira da Embrapa e acompanhou diversas fases orçamentárias da empresa, destacou que, desde que assumiu o comando da estatal em 2023, o orçamento para pesquisa era de aproximadamente R$ 167 milhões.
Após um trabalho com apoio do governo federal, os valores para custeio e investimento aumentaram para R$ 414 milhões em 2026. “Nós aumentamos [o orçamento] graças ao apoio do governo federal, do presidente Lula, dos ministros que entendem a importância de investir em ciência e tecnologia. É um esforço conjunto”, afirmou.
Apesar do aumento, Massruhá ressaltou que o patamar ainda está abaixo do necessário. “O ideal para a Embrapa é que a gente chegue a R$ 500 milhões no mínimo, e que isso seja mantido para a gente manter [as pesquisas]”, disse.
A presidente da Embrapa também enfatizou a necessidade de diversificar as fontes de financiamento, com maior participação de parcerias com o setor privado e a construção de um fundo para a estatal. “A Embrapa tem por volta de, por ano, aproximadamente R$ 100 milhões que vêm da parceria público-privada, que também é muito importante para a gente avançar mais rapidamente”, explicou.
Dados da Embrapa mostram que cada R$ 1 investido na empresa gerou retorno de R$ 27,12 para a sociedade. O lucro social somou R$ 124,76 bilhões no ano, sobre uma receita operacional líquida de R$ 4,6 bilhões, com alta real de 17% em relação a 2024.
O levantamento indica que as tecnologias da estatal e de seus parceiros geraram benefício econômico de R$ 123,25 bilhões em 2025, o que equivale a uma participação estimada de 16% no PIB da agropecuária brasileira, que foi de R$ 775,3 bilhões no ano.
Além disso, a ampliação da adoção dessas soluções tecnológicas gerou 132.115 empregos diretos e indiretos em 2025, com a maior parte do retorno econômico advindo de ganhos de produtividade e redução de custos.

