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Desafios do autismo no interior de SP: terapeuta e jornalista compartilham experiências

Amanda Rocha
Última atualização: 2 de abril de 2026 07:31
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Nesta quinta-feira (2), é celebrado o Dia Mundial do Autismo, uma data que busca promover a inclusão e a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No interior de São Paulo, a terapeuta Vanessa Silva de Oliveira, de 42 anos, e o jornalista João Aoki, de 32 anos, compartilham suas experiências e os desafios enfrentados por pessoas diagnosticadas com a condição.

Vanessa mora em Presidente Prudente e João em Sorocaba, a quase 500 quilômetros de distância. Ambos foram diagnosticados com autismo nível 1 de suporte, sendo que João recebeu o laudo aos 14 anos e Vanessa aos 39. A terapeuta relembra como foi conviver com a condição sem saber nomeá-la por tanto tempo. ‘Eu trabalhei por 20 anos na área comercial e financeira e sempre enfrentei desafios, como dificuldade em contato visual e me distraía fácil, perdia o foco’, conta.

“‘Nós, autistas, somos muito intensos em tudo: trabalho, estudo, relacionamento. Então, é mais difícil para a gente lidar com decepção, frustração, porque, quando começamos alguma coisa, seja o que for, é como se a nossa vida estivesse ali, então não tem a opção de desistir ou de dar errado’, descreve Vanessa.”

De acordo com o Ministério da Previdência Social, o TEA é caracterizado por desafios na comunicação social e por padrões de comportamento repetitivos. No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas são diagnosticadas com a condição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O termo ‘espectro’ reflete a variação de manifestações do transtorno, que pode exigir suporte intenso ou permitir uma vida independente.

Vanessa, diagnosticada há três anos, observa que a sinceridade de pessoas com autismo pode ser confundida com grosseria. ‘A sociedade tem muito preconceito com o autismo em vários sentidos, gosta de rotular’, afirma. Ela destaca que o autista nível 1 é frequentemente rotulado como ‘quase normal’ ou ‘nem parece ser autista’. ‘Sofro muito preconceito por não parecer a autista que a sociedade espera que eu seja’, completa.

João Aoki, por sua vez, relata que os desafios sociais o levaram a buscar apoio da família. ‘Minha mãe e meu padrasto correram atrás de tudo para o meu desenvolvimento, como psicopedagoga, atividades esportivas e psicólogos’, diz. Ele também fala sobre sua experiência acadêmica, onde produziu um livro-reportagem sobre seu diagnóstico e trajetória. ‘Foi um trabalho marcante em geral, porque foi uma trajetória vitoriosa na minha vida, que foi fazer duas faculdades importantes para mim.’

“‘Pois sei o quanto é difícil praticar a inclusão nos dias de hoje, ter mais informações para as pessoas que têm filhos atípicos e nem sabem o diagnóstico correto’, afirma João sobre a importância do Dia Mundial do Autismo.”

Além do livro, João apresenta o podcast ‘Rota Atípica’, onde discute temas relacionados ao autismo com convidados. As gravações ocorrem no Laboratório de Comunicação (LabCom) da Universidade de Sorocaba (Uniso), onde ele é aluno e técnico. ‘Está sendo incrível e uma experiência de muito aprendizado estar à frente de videocast/podcast’, comenta.

A neuropsicóloga Aline Tanaka, de Presidente Prudente, explica que os primeiros sinais do TEA costumam aparecer nos primeiros anos de vida, como déficits na comunicação e interação social. ‘O diagnóstico é fundamental para direcionar intervenções baseadas em evidências, garantir acesso a direitos e serviços especializados’, afirma.

O autismo é classificado em três níveis de suporte: Nível 1 (leve), Nível 2 (moderado) e Nível 3 (severo). Aline destaca que falar sobre o tema é uma forma de cuidado coletivo e promoção de saúde mental, visando não apenas reduzir dificuldades, mas também potencializar habilidades e promover qualidade de vida.

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