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Desafios do Banco Central aumentam com inflação resistente

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de abril de 2026 15:07
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A tarefa do Banco Central se tornou mais complexa devido à inflação persistente, conforme apontado por André Braz, da Fundação Getulio Vargas. Ele destaca que o cenário atual representa um teste significativo para a condução da taxa básica de juros, a Selic, uma vez que muitos fatores que pressionam a inflação estão fora do alcance da política monetária.

Braz menciona que o IPCA de março, que registrou 0,88%, surpreendeu negativamente, elevando o acumulado em 12 meses para 4,14%, próximo do teto da meta. A alta da gasolina, que se aproximou de 5%, teve um impacto direto nesse resultado. Para ele, esses choques evidenciam a forte influência de itens voláteis na inflação brasileira, tornando o trabalho do Banco Central “muito difícil”, já que a autoridade não controla diretamente esses preços.

O economista também observa que, apesar do ambiente turbulento, o Banco Central tem atuado de forma adequada. Ele ressalta que eventos externos, como conflitos e oscilações de commodities, aumentam a incerteza e dificultam a convergência da inflação para a meta. Assim, a comunicação e a transparência se tornam essenciais para ancorar expectativas e orientar o mercado sobre os próximos passos da política monetária.

Sérgio Vale, da MB Associados, reforça essa análise, apontando um desafio relevante para o Banco Central. Ele afirma que a intensidade da inflação de março foi surpreendente e que resquícios inflacionários devem persistir em abril, mantendo o acumulado próximo do limite da meta. Isso reduz a margem para cortes adicionais na Selic.

Vale também observa que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 estão em alta, indicando preocupação do mercado com a persistência dos preços. Esse movimento pode exigir uma postura mais cautelosa do Banco Central, que já sinalizou uma redução no ritmo de queda dos juros, com movimentos menores e maior dependência dos dados.

Além disso, o economista acrescenta que, diante de choques sucessivos e possíveis pressões estruturais de custos, cresce a percepção de que a Selic pode precisar permanecer em níveis mais elevados do que o inicialmente previsto. O desafio, portanto, é equilibrar o combate à inflação sem comprometer o ritmo da atividade econômica, em um ambiente onde cada decisão sobre juros ganha peso adicional.

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