Uma pesquisa do Datafolha revelou que seis em cada dez eleitores se sentem desanimados e receosos em relação ao futuro. O governo e a oposição parecem não compreender a profundidade desse desalento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma desaprovação crescente, mesmo após ter implementado subsídios estatais para a população mais pobre, como o Gás do Povo e o Crédito do Trabalhador. A Casa Civil contabiliza que quase 12 milhões de brasileiros saíram da pobreza extrema, representando 7% da população.
No entanto, mais da metade dos eleitores avalia Lula de forma crítica, acreditando que ele está conduzindo o país na direção errada. O presidente se equipara em rejeição a Jair Bolsonaro, que está preso e inelegível, e a Flávio Bolsonaro, candidato presidencial do Partido Liberal.
Na semana passada, Lula se reuniu com ministros em Brasília e apresentou sua estratégia para o primeiro trimestre de campanha. Ele enfatizou a importância de criar narrativas favoráveis e utilizar o poder do Estado para expor empresários como responsáveis pelo aumento dos preços dos combustíveis.
““Tem muito malandro, tem gente tão safada nesse país que é capaz de querer ganhar dinheiro com o enterro da mãe. Nós vamos ter que colocar alguém na cadeia”, disse Lula.”
Além disso, Lula pretende amplificar críticas ao governo dos Estados Unidos, buscando atrair Donald Trump para o cenário eleitoral. O tarifaço sobre exportações brasileiras para os EUA, ocorrido no primeiro semestre de 2025, pode ser uma oportunidade para reforçar sua imagem na defesa da soberania nacional.
O cenário é complicado tanto para o governo quanto para a oposição, que se fragmenta após fracassos na organização das forças de centro e direita. A seis meses da eleição, a alta rejeição a Lula e a Flávio Bolsonaro se destaca, com muitos eleitores temendo a reeleição de Lula ou a ascensão do bolsonarismo.
Flávio Bolsonaro, que tenta se apresentar como moderado, resgatou uma proposta de Jair Bolsonaro sobre uma aliança com os EUA contra a China, afirmando que “o Brasil será o campo de batalha” para a segurança nacional americana.
Ambos, Lula e Flávio Bolsonaro, parecem carecer de ideias concretas para modernizar o país e enfrentar a armadilha da baixa renda que afeta os brasileiros há décadas. O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, comentou que a elite política está desconectada da realidade do eleitorado, que se mostra mais à direita do que aparenta.
Essa análise é corroborada por pesquisas que indicam que um terço dos brasileiros ocupados trabalha na informalidade, e muitos desejam menos intervenção estatal e uma carga tributária mais baixa, além de melhores serviços públicos.
Com essa falta de sintonia política, não surgiu uma alternativa convincente para os eleitores.

