A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), afirmou em sessão judicial que a situação financeira da magistratura é ‘muito triste’ e que a categoria pode entrar em ‘regime de escravidão’. A declaração ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) limitar o pagamento de verbas indenizatórias, conhecidas como ‘penduricalhos’.
Em 2025, Eva Coelho recebeu R$ 1.024.117,30, conforme dados do Portal da Transparência. Ela tomou posse como desembargadora em 2020 e tem 40 anos de carreira no Judiciário do Pará. Nascida em 15 de julho de 1951, ingressou na magistratura em outubro de 1985.
Durante a sessão, a desembargadora destacou que ‘não temos direito mais a auxílio alimentação’ e que a situação pode levar os magistrados a não conseguirem ‘pagar as contas’. Ela relatou que colegas estão deixando de frequentar médicos e de tomar remédios devido à situação financeira.
“‘Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum tempo, como pagar nossas contas’, disse Eva Coelho.”
A magistrada também comentou sobre a percepção negativa que a sociedade tem em relação aos juízes, afirmando que eles estão sendo vistos como ‘bandidos’. ‘Eu gostaria que uma parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador para verificar como é que a gente trabalha’, declarou.
Eva Coelho atuou em casos emblemáticos, como o julgamento do Massacre de Eldorado do Carajás, que completou 30 anos em 2026. Ela presidiu fases iniciais do julgamento e se afastou do caso após alegações de perda de imparcialidade.
O STF estabeleceu critérios para o pagamento das verbas indenizatórias, detalhando as parcelas permitidas e proibidas, enquanto aguarda uma lei sobre o tema a ser aprovada pelo Congresso Nacional.

