No dia 24 de abril, é celebrado o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), uma data que visa dar visibilidade à luta pela inclusão das pessoas surdas. Em Marília (SP), o pedagogo Diogo Leonardo, surdo desde o nascimento, compartilha sua experiência e os desafios enfrentados na comunicação.
Diogo, de 35 anos, formado em Pedagogia pela Unesp e atualmente assistente administrativo em Saúde e Segurança, destaca que a data representa uma conquista, mas também uma reflexão sobre acessibilidade. Ele enfrentou barreiras como a falta de intérpretes e materiais adaptados ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional. “O maior desafio foi a acessibilidade, principalmente a falta de intérpretes em alguns momentos e materiais nem sempre adaptados”, afirmou.
Filho de pais ouvintes, Diogo aprendeu a ler lábios e frequentou escola regular. Ele só aprendeu Libras aos 18 anos, o que reforçou sua valorização pela comunicação inclusiva. “No início não foi fácil aprender e levei um tempo para me adaptar”, contou.
A comunicação em Libras é fundamental para Diogo, que recentemente pediu sua namorada, Ana Carolina, também surda e professora de Libras, em namoro durante um jogo no Mineirão. Ele observa que, apesar dos avanços na acessibilidade e no respeito à comunidade surda, ainda existem desafios a serem superados. “A inclusão começa com respeito, paciência e vontade de se comunicar”, disse.
Gabriel Andreasi, intérprete de Libras em Marília há 10 anos, também compartilha sua experiência. Ele se interessou pela profissão influenciado por tios surdos e trabalha em uma escola estadual, onde a mediação do intérprete é essencial para o aprendizado dos alunos surdos. “Quando trabalhei com uma aluna surda do 6º ano que ainda não era alfabetizada, um dia ela escreveu meu nome na capa do caderno e desenhou vários corações em volta”, relembra Gabriel.
Ele ressalta que ainda há barreiras na inclusão escolar, como a falta de profissionais qualificados. “Muitos não dominam a Libras, não têm fluência e, principalmente, não têm vivência com a comunidade surda”, aponta.
Além do ambiente escolar, Gabriel também atua em eventos e shows, onde a interpretação em Libras é crucial. “Quando estamos ali, junto com o artista, a gente não está só traduzindo, a gente vive aquele momento”, explica. Ele enfatiza que a interpretação de músicas exige mais do que conhecer Libras, é necessário compreender a mensagem da canção e transmitir a emoção.
A Libras foi reconhecida oficialmente como meio legal de comunicação no Brasil em 2002, com a Lei nº 10.436. Segundo o IBGE, o Brasil possui cerca de 2,6 milhões de pessoas com deficiência auditiva, e nas principais cidades do centro-oeste paulista, são mais de 12 mil. Para quem deseja aprender Libras, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) oferece cursos gratuitos online, enquanto a Central de Libras de Marília disponibiliza atendimento presencial e por videochamada.


