No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, especialistas afirmam que o diagnóstico precoce do TEA (transtorno do espectro autista) é decisivo para garantir aprendizagem, autonomia e permanência escolar.
Sem identificação rápida, crianças tendem a enfrentar barreiras pedagógicas e de comunicação que se acumulam ao longo da trajetória educacional. O Censo Escolar 2024, divulgado pelo MEC (Ministério da Educação), registrou aumento de 44,4% nas matrículas de alunos com TEA na educação básica, passando de 636.202 em 2023 para 918.877 em 2024.
Os dados mostram que 95,7% dos estudantes de 4 a 17 anos com autismo estão matriculados em classes comuns, reforçando a tendência de inclusão. O ensino médio se destaca como a etapa da educação com a maior proporção de alunos integrados a turmas regulares.
Thalita Possmoser, vice-presidente clínica da Genial Care, explica que identificar o TEA nos primeiros anos amplia as possibilidades de suporte adequado. “Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de oferecer o suporte adequado”, afirmou.
Sem essa identificação inicial, a criança tende a enfrentar dificuldades em comunicação, interação social e adaptação curricular, comprometendo o engajamento e aprendizado ao longo do tempo. A intervenção na primeira infância aproveita uma janela de maior plasticidade cerebral.
A psicopedagoga Luciana Brites, diretora-executiva do Instituto NeuroSaber, destaca que o ideal é que a intervenção comece antes dos três anos, preferencialmente aos dois anos. “Crianças diagnosticadas e acompanhadas antes dos 3 anos apresentam avanços superiores em comunicação, autonomia e socialização”, disse.
No Brasil, o diagnóstico precoce enfrenta problemas estruturais. Thalita afirma que a falta de articulação entre saúde e educação, a formação insuficiente de professores e as longas filas para avaliação na rede pública atrasam a identificação. “O diagnóstico tardio compromete diretamente a autonomia da criança”, alertou.
A escola é frequentemente o primeiro lugar onde sinais de autismo são notados, como dificuldades de interação e atraso na fala. Por isso, a capacitação docente é essencial. Thalita ressaltou que professores capacitados podem reconhecer sinais e orientar famílias a buscar avaliação.
“A inclusão é eficaz quando há diálogo contínuo entre escola e família”, afirmou. Conhecer o diagnóstico permite ao professor ajustar rotina e comunicação sem reduzir expectativas. Luciana defende rotinas estruturadas e ensino explícito de habilidades sociais como práticas que ajudam o estudante a participar e aprender.
Mesmo quando o diagnóstico chega na adolescência, ele pode trazer benefícios. Luciana explicou que o diagnóstico tardio pode trazer alívio e abrir acessos a suportes necessários, embora anos sem intervenção possam impactar a autoestima e o vínculo escolar.
Para avançar na inclusão, as especialistas sugerem ações práticas, como criar protocolos de triagem em creches, inserir conteúdos sobre TEA na formação de professores e estruturar fluxos entre escolas e serviços de saúde.
A escolha entre escola regular ou especial deve ser individualizada. Luciana afirma que essa decisão precisa ser tomada em diálogo entre família e profissionais. Dados oficiais mostram crescimento nas matrículas de estudantes com TEA, mas parte das crianças com deficiência ainda permanece fora da escola, o que está relacionado à ausência ou atraso no diagnóstico.


