O melasma, caracterizado por manchas escuras em formato de borboleta na face, afeta a autoestima e a interação social. Essas alterações podem persistir mesmo com tratamentos dermatológicos e uso de protetor solar. O melasma é uma das formas mais comuns de hiperpigmentação da pele, especialmente em mulheres adultas e em populações com maior pigmentação cutânea, sendo mais frequente em regiões tropicais como o Brasil.
Tradicionalmente, o melasma era atribuído à exposição solar, alterações hormonais e predisposição genética. No entanto, revisões recentes indicam que fatores como estresse e depressão também podem estar relacionados. Pesquisadores têm investigado outros fatores biológicos, como inflamação, alterações metabólicas e estresse oxidativo, que podem influenciar a atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina.
Estudos recentes sugerem que a ativação de mastócitos e o aumento de substâncias inflamatórias, como a histamina, podem agravar a inflamação local e favorecer o desenvolvimento do melasma. Isso levou à investigação sobre o papel da alimentação na interferência desses mecanismos.
O melasma é mais comum em mulheres durante variações hormonais, como na gravidez e uso de anticoncepcionais. O estrogênio e a progesterona podem estimular a produção de melanina, e a predisposição genética está envolvida em cerca de 30% dos casos. A interação entre diferentes genes e enzimas também contribui para o surgimento da hiperpigmentação.
Pesquisas mostram que o melasma está associado a mudanças em estruturas da pele, envolvendo queratinócitos, fibroblastos e mastócitos. Fatores como radiação ultravioleta e poluentes podem ativar essas células, liberando moléculas inflamatórias que favorecem a hiperpigmentação. O estresse oxidativo, causado pelo excesso de radicais livres, também está relacionado ao surgimento das manchas.
A relação entre nutrição e saúde da pele está em estudo, com destaque para substâncias antioxidantes presentes nos alimentos. Compostos como polifenóis, encontrados em alimentos de origem vegetal, têm sido investigados por suas propriedades anti-inflamatórias e de proteção contra radiação ultravioleta. Alimentos como chá verde e romã são exemplos de fontes de antioxidantes que podem beneficiar a pele.
Além disso, a dieta pode influenciar a inflamação sistêmica de baixo grau, frequentemente associada à resistência à insulina, que pode ser exacerbada por padrões alimentares ricos em açúcares e alimentos ultraprocessados. A forma de preparo dos alimentos também pode afetar a formação de substâncias prejudiciais à pele.
Avanços na pesquisa mostram que o melasma é uma condição multifatorial, resultante da interação entre exposição solar, genética, hormônios, inflamação e metabolismo. Embora mais estudos sejam necessários, evidências sugerem que padrões alimentares ricos em vegetais e frutas podem contribuir para um ambiente metabólico favorável ao controle do melasma.

