Os acidentes com césio-137 em Goiânia, em 1987, e com Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, são considerados entre os maiores acidentes radioativos do mundo. No entanto, eles se diferenciam em termos de nível de radiação e extensão dos danos.
O acidente em Goiânia foi classificado como nível 5 na Escala Internacional de Radiação (Ines), enquanto o de Chernobyl atingiu o nível máximo da escala, 7. O professor de química da Universidade Federal de Goiás (UFG), Elias Yuki, explica que, embora ambos sejam acidentes radiativos, o de Chernobyl foi um acidente nuclear, envolvendo o isótopo Urânio-238, utilizado principalmente na geração de energia. Já o acidente em Goiânia foi um acidente radiológico, relacionado a uma fonte usada para tratamento de câncer.
Elias Yuki esclarece que o césio-137 emite mais radiação do que o urânio-238, mas o acidente na Ucrânia foi mais letal devido à explosão da usina, que afetou uma área muito maior, incluindo a atmosfera e o solo. “Morreu muito mais gente por contaminação, morreu diretamente por excesso de dose e, a longo prazo, também, por uma exposição muito grande a esse material radioativo”, afirmou o professor.
Outro fator que diferencia os dois acidentes é o tempo de meia-vida dos materiais radioativos. O césio-137 tem uma meia-vida de 30 anos, enquanto o urânio-238 possui uma meia-vida de aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Isso significa que a área de Chernobyl permanecerá inabitável por um período muito longo devido à quantidade de material radioativo presente.
O acidente de Goiânia resultou na morte de quatro pessoas: Leide das Neves Ferreira, Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza. O incidente ocorreu quando catadores de materiais recolheram um aparelho de radioterapia abandonado, removendo o lacre da cápsula que continha a substância radioativa.
Após o acidente, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente. Atualmente, mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), criado em 2011 para apoiar a população afetada pelo césio-137.
O Cara, que surgiu da antiga Superintendência Leide das Neves (Suleide), divide os pacientes em três grupos: aqueles que apresentaram mais de 20 rads, os com menos de 20 rads e os vizinhos do local do acidente, além de trabalhadores que atuaram na área contaminada. O órgão continua em funcionamento, prestando assistência às vítimas diretas e indiretas do acidente.


