Donald Trump tem utilizado ameaças para pressionar o Irã em um contexto de crescente tensão. O presidente americano alterna entre ameaças e acenos a Teerã, refletindo uma abordagem que a imprensa americana chamou de ‘diplomacia do precipício’. Essa estratégia visa levar a crise ao limite máximo até que o adversário ceda.
Entretanto, a questão que se coloca é: o que acontece se o adversário não ceder? Trump, que não tem interesse na continuidade da guerra, já recuou em algumas ocasiões. Segundo Daniel Drezner, professor de Relações Internacionais da Universidade de Tufts, o Irã está ciente dessa situação e joga com o tempo.
Drezner afirma que Trump deseja que a guerra termine, pois a economia global e a dos Estados Unidos sofrerão as consequências. O professor ressalta que a pior coisa em uma negociação é parecer desesperado, algo que Trump reconheceu em seu livro ‘A Arte da Negociação’. Em 23 de abril, Trump declarou: ‘Eu tenho todo tempo do mundo, mas o Irã não tem. O relógio está correndo’.
A extensão do cessar-fogo não é o primeiro recuo de Trump. As idas e vindas, que antes eram vistas como estratégias de negociação, agora são exploradas pela oposição como fraqueza. Os democratas tentam usar essa percepção para desgastar Trump nas eleições de meio de mandato de 2026.
Os opositores até criaram um apelido pejorativo para o presidente: TACO, que significa ‘Trump sempre amarela’, usado em referência a recuos em situações como a guerra tarifária. Essa expressão voltou a ser utilizada em relação ao recuo na guerra com o Irã.
Drezner destaca que, ao desenvolver a reputação de recuar em momentos críticos, Trump pode incentivar países a adotarem uma estratégia de espera, já que ele busca resultados imediatos. O Irã parece estar apostando nessa dinâmica.


