O elefante-marinho, batizado de Leôncio, foi encontrado morto e partido ao meio em Jequiá da Praia, no litoral sul de Alagoas. A necropsia preliminar, divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Biota, aponta que o animal foi vítima de ação humana.
De acordo com Bruno Stephanis, biólogo e diretor-executivo do Instituto Biota, Leôncio apresentava sinais de agressão por objeto cortante e estava vivo no momento dos ataques. As lesões foram descritas como extremamente violentas, atingindo inclusive os ossos do animal.
O Instituto Biota informou que o relatório da necropsia será enviado ao Ministério Público Federal (MPF), que deverá acionar os órgãos competentes para investigar o caso e identificar os responsáveis. Stephanis destacou que a necropsia identificou hemorragias, indicando que as agressões ocorreram enquanto Leôncio ainda estava vivo.
““Infelizmente, essas agressões foram realizadas enquanto o animal estava com vida. Isso são sinais claros apresentados durante a necropsia, por meio de hemorragias”, disse.”
Leôncio estava em processo de troca de pelagem, fase em que o animal permanece em repouso fora da água e não deve sofrer intervenções, conforme a literatura científica. O monitoramento do animal vinha sendo feito diariamente pela equipe do Instituto Biota, que não havia identificado a necessidade de manejo até então.
Stephanis explicou que o animal apresentava um comportamento diferenciado, típico do período de troca de pelagem, e que não deveria ser submetido a manejo ou contenção nesse momento. A equipe já havia preparado uma estrutura para eventual contenção e transporte após a troca de pelagem, mas o animal foi morto antes da conclusão do processo.
““O animal não teve nem esse tempo para passar tranquilamente pelo litoral. Infelizmente, foi abatido antes de conseguirmos fazer qualquer intervenção”, afirmou.”
Leôncio havia sido avistado no litoral de Alagoas no dia 11 de março e vinha sendo monitorado por especialistas, além de ter atraído a atenção de moradores e turistas por onde passou.

