A eleição para o governo de São Paulo, que anteriormente parecia favorável a Tarcísio de Freitas, agora é considerada uma disputa em aberto. O desempenho inicial de Fernando Haddad nas pesquisas e a atuação ativa do vice-presidente Geraldo Alckmin no interior do estado mudaram o cenário político.
No programa Ponto de Vista, a apresentadora Marcela Rahal conversou com o colunista Mauro Paulino e o cientista político Elias Tavares sobre os recentes movimentos e seus impactos na corrida eleitoral. Alckmin pode influenciar o interior? A estratégia do governo federal envolve utilizar a influência de Alckmin junto a prefeitos do interior paulista, prometendo a liberação de recursos para fortalecer a candidatura de Haddad.
Paulino destacou a relevância dessa movimentação, afirmando:
““Dinheiro sempre ajuda””
. Ele ressaltou que Alckmin possui capilaridade política em áreas onde Haddad enfrenta dificuldades. A atuação do vice-presidente pode ajudar a criar um palanque competitivo fora da capital, que é um ponto frágil para o PT em São Paulo.
Haddad surpreendeu ou Tarcísio perdeu força? A diferença de apenas seis pontos entre Haddad e Tarcísio, conforme levantamento recente, chamou a atenção de aliados e adversários. Tavares apontou que o desempenho de Haddad pode ser explicado por acertos da esquerda e pelo contexto de polarização nacional.
““A eleição vai ficar muito polarizada””
, disse ele.
Além disso, Haddad tem um ativo importante: venceu Tarcísio na capital paulista, o que indica uma base eleitoral consolidada em áreas estratégicas. A eleição estadual se tornou refém da disputa nacional? Tavares acredita que as eleições estaduais tendem a ser “coadjuvantes” diante da polarização presidencial, afirmando que
““Quando chegar o processo eleitoral, vai estar todo mundo pensando no cenário nacional””
.
Isso implica que o desempenho dos candidatos em São Paulo estará diretamente ligado ao embate entre Lula e o campo bolsonarista. Tarcísio perdeu protagonismo político? A definição de Flávio como candidato à Presidência pode ter reduzido o espaço nacional de Tarcísio, refletindo em sua atuação local. Tavares avaliou que o governador “perdeu bastante musculatura política”, especialmente após abrir mão de protagonismo no cenário nacional.
Ele observou que Tarcísio passou de uma potencial liderança nacional a uma figura mais dependente do projeto bolsonarista. Lula pode desistir da reeleição? Apesar das especulações sobre uma possível desistência diante de um cenário apertado, Tavares descarta essa hipótese, afirmando:
““Eu não acredito. Lula é uma figura que disputa eleição desde sempre””
. Para ele, a ausência de novas lideranças fortes na esquerda torna a candidatura do presidente praticamente inevitável.
O que está em jogo em São Paulo? A disputa no maior colégio eleitoral do país ganha peso estratégico tanto para o governo quanto para a oposição. O avanço de Haddad e a mobilização de Alckmin indicam que a eleição estadual pode deixar de ser previsível e se transformar em mais um capítulo da polarização nacional.


