As grandes geradoras de energia do Brasil afirmam que precisam operar com contingências e um nível maior de conservadorismo diante do cenário geopolítico conturbado. A avaliação foi feita pelos presidentes da Axia e da Engie Brasil durante o evento Latam Energy Week, realizado no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (9).
O CEO da Axia Energia, Ivan Monteiro, destacou que a resposta para as incertezas do momento geopolítico é uma operação com “contingências”. Ele afirmou:
““Seja contingência operacional, seja contingência de liquidez, seja contingência reputacional, seja qualquer outro tipo de contingência, esse é o meu principal foco de preocupação hoje.””
Monteiro também mencionou que a companhia está implementando um plano “ousado” de investimentos, com aportes de R$ 14 bilhões em 2026 e 2027, buscando diversificar fornecedores e funding para as operações. Ele ressaltou:
““A empresa não pode errar. Porque se a gente errar, falta luz imediatamente… A forma de lidar com isso são os investimentos.””
Eduardo Sattamini, CEO da Engie Brasil, avaliou que o ambiente empresarial atual, marcado pela piora no mercado de crédito, exige uma postura mais conservadora das geradoras na comercialização de energia. Ele comentou:
““A situação geopolítica impactando no custo do combustível, que vai impactar no custo do atendimento e da demanda de pico, e você vê empresas expostas a esse momento… Eu preciso me preservar, eu não vou pegar essa energia que eventualmente nem tenho e jogar no mercado a um preço baixo.””
A declaração de Sattamini ocorre em um contexto de forte retração no mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil, com empresas reduzindo suas operações ou deixando de atuar no segmento. Comercializadoras independentes têm criticado as grandes geradoras, alegando que a postura conservadora nas vendas está secando o mercado. Sattamini afirmou:
““‘Poder de mercado’, ‘falta de liquidez’, não é isso… A gente tem por obrigação, como executivos de empresas listadas, ter um nível de conservadorismo na operação, e isso é o que a gente tem feito.””
Rodrigo Limp, vice-presidente executivo de Regulação, Institucional e Mercado da Axia, destacou que a liquidez do mercado de energia está conectada à percepção de riscos pelas empresas, que está elevada devido a questões do setor elétrico brasileiro, como cortes de geração e inadimplência de comercializadoras. Limp afirmou:
““Na nossa percepção, é algo conjuntural. Não temos nenhum elemento para entender que existe, de fato, redução de liquidez estrutural no setor.””
A Axia, assim como a Copel, adotou uma estratégia de comercialização criticada por casas independentes. Ambas as elétricas possuem energia disponível para negociar no mercado, mas estão deixando seus portfólios mais descontratados para aproveitar preços spot mais altos, evitando “travar” vendas em contratos de longo prazo que poderiam render valores menores.

