Empresas desempenham um papel crucial no enfrentamento à violência contra meninas e mulheres, devendo atuar em três frentes: prevenção, intervenção e acolhimento. A afirmação foi feita pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, durante evento no Rio de Janeiro.
Rosa destacou que o setor produtivo deve provocar transformações culturais para enfrentar as causas do alto número de feminicídios no Brasil. De acordo com o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pela Universidade Estadual de Londrina, seis mulheres são mortas por dia no país, com 2,1 mil vítimas e 4,7 mil tentativas de feminicídio registradas no ano anterior.
Durante o evento, que contou com a participação de grandes empresas públicas e privadas, lideradas pela Petrobras e pelo Banco do Brasil, o secretário enfatizou que a violência de gênero não deve ser tratada apenas com o endurecimento da legislação penal, mas sim com ações preventivas. “Das empresas, o que se espera é a prevenção, a intervenção, o acolhimento, o suporte”, afirmou Rosa.
O evento, intitulado Responsabilidade Empresarial no Enfrentamento ao Feminicídio, à Violência de Gênero e pela Transformação Cultural, também abordou a necessidade de que as empresas exijam práticas semelhantes de seus fornecedores. Rosa classificou a falta de ação como uma “omissão institucional” e criticou práticas que desencorajam denúncias e expõem vítimas.
“É preciso combater a cultura interna permissiva a qualquer forma de assédio ou de violência”, disse. Ele propôs que mulheres sejam protagonistas na construção de políticas internas nas empresas, destacando que a mudança cultural deve ser acompanhada de ações concretas.
O compromisso do ministério da Indústria com o tema foi reafirmado, com Rosa ressaltando que o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio envolve também o governo e a sociedade civil. “Essa não é uma pauta para amanhã, já deveria ter sido adotada ontem”, concluiu.
A empresária Luiza Trajano, fundadora da Magazine Luiza, apresentou o Canal Mulher, criado para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica. O canal foi desenvolvido após o feminicídio de uma funcionária em 2017 e oferece suporte psicológico e jurídico.
Trajano destacou que a empresa já pagou aluguel para funcionárias deixarem casas de violência e que, em 2019, um botão de denúncia foi incorporado ao aplicativo da empresa. “Nós fizemos um pacto, treinamos também homens para identificar e lidar com essa situação”, afirmou.
A presidenta do Pacto de Promoção da Equidade Racial, Wania Sant’Anna, ressaltou a importância do compromisso das empresas com a causa e sugeriu que cada uma atue em seu ramo para conscientizar a sociedade sobre a violência contra a mulher.
A Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Pacto Global para apoiar as empresas na adoção de ações concretas. A diretora Monica Gregori destacou que as corporações devem combater as violências institucionais, como o assédio moral e sexual.
A primeira dama, Janja Lula da Silva, também participou do evento e cobrou apoio a iniciativas que buscam criminalizar a misoginia, ressaltando o ambiente hostil enfrentado pelas mulheres nas redes sociais.
O diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Andre Basbaum, defendeu o papel da mídia pública no diálogo com a sociedade sobre a violência de gênero, enquanto a diretora de Conteúdo e Programação, Antonia Pellegrino, enfatizou a responsabilidade das empresas de mídia na formação do imaginário social.

