Moradores de Ilhota, em Santa Catarina, enfrentam problemas com o maruim, um pequeno mosquito de até três milímetros que causa irritação e coceira na pele. A prefeitura local anunciou, na quarta-feira (8), que está adotando medidas para enfrentar a situação.
O maruim, conhecido cientificamente como Culicoides paraensis, é cerca de 12 vezes menor que o mosquito transmissor da dengue e 20 vezes menor que o pernilongo comum, Culex quinquefasciatus, conforme informações do Ministério da Saúde.
Em 2024, Luiz Carlos de Pinha, professor de ecologia e zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), comentou sobre a infestação de maruim em Luiz Alves, cidade vizinha. Ele explicou que a picada do inseto pode causar irritação na pele e há risco de transmissão de doenças, como a Febre do Oropouche.
“”Da mesma forma que o mosquito da dengue e da malária, somente as fêmeas picam. A picada serve como suplemento alimentar para a fêmea produzir ovos. Só consegue gerar descendentes depois de picar alguém”,”
afirmou o professor.
A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) informou que a proliferação do maruim ocorre em locais com muita matéria orgânica em decomposição. As fêmeas depositam os ovos em ambientes úmidos e ricos em matéria orgânica, como mangues, brejos e pântanos.
Pinha destacou que as picadas do maruim podem causar ardência na pele e, em grandes quantidades, há risco de transmissão de patógenos.
“”Os problemas são principalmente em animais domésticos da pecuária, bovinos, equinos. Pode haver surtos de certas doenças relacionadas a esse mosquito”,”
completou.
Além de afetar animais, o maruim pode transmitir a Febre do Oropouche, que apresenta sintomas semelhantes aos da dengue e chikungunya, como dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, náusea e diarreia. Não há tratamento específico para a febre, sendo recomendado repouso e acompanhamento médico.
A prefeitura de Ilhota informou que o processo de contratação de uma empresa para o controle do maruim está em andamento.
“”A Secretaria aguarda a conclusão das etapas legais para, na sequência, realizar a devida publicação da empresa que será responsável pela execução dos serviços”,”
disse a administração municipal. A prefeitura também destacou que fatores climáticos têm contribuído para o aumento da proliferação do inseto, com a presença de água e matéria orgânica criando condições ideais para seu desenvolvimento.

