Uma enfermeira denunciou à Polícia Civil ter sido vítima de assédio moral e sexual praticado por um médico no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde, em Parnaíba, no litoral do Piauí. A profissional, que optou por não se identificar, trabalha na instituição há sete anos e relatou que as importunações começaram no início de março de 2026.
Segundo a enfermeira, o médico a tocava de forma indevida nos corredores e insistia para que ela fumasse cigarro com ele. Para tentar evitar a situação, a profissional trocou de setor, mas o assédio se agravou durante um plantão na madrugada do dia 28 de março. Ela afirmou que o médico se aproximou e encostou as partes íntimas nele.
A enfermeira explicou que o médico foi até o setor onde ela estava durante seu horário de descanso. No local, ambos tiveram um desentendimento sobre procedimentos a serem realizados em pacientes. “Viu que eu estava no setor e foi até lá, mas não deveria ter ido porque era o horário de descanso dele. Ordenou que eu fizesse um exame de uma em uma hora, sendo que a médica que eu estava acompanhando teria sugerido o procedimento a cada duas horas. Depois, vi que ele colocou no prontuário que eu não estava prestando assistência ao paciente”, relatou.
Ela continuou: “Fui tirar satisfações, pedir pra ele retirar aquilo do prontuário e imprimir uma cópia do que ele tinha colocado. Nesse momento, ele veio por trás e encostou o órgão genital em mim, segurou meu braço para que eu não conseguisse pegar a cópia e disse: ‘o que eu ganho para tirar [a denúncia de falta de assistência do prontuário]?”
A enfermeira afirmou que empurrou o médico e correu para o banheiro do hospital. No dia seguinte, registrou um boletim de ocorrência e enviou uma cópia ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Piauí (CRM-PI). A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí informou que não se manifestará até que a denúncia seja devidamente apurada.
“Eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas tenho medo dele e tenho medo de ter o meu trabalho prejudicado. São 12 anos de enfermagem, tenho uma filha para sustentar e não quero ser prejudicada por ele”, concluiu a enfermeira. A Polícia Civil informou que o caso está em análise.

