A entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira apresentou uma desaceleração em março, com investidores internacionais aportando R$ 11,6 bilhões, conforme dados da consultoria Elos Ayta. O movimento ocorre em meio a um cenário global de cautela e aversão ao risco, influenciado pelos conflitos no Oriente Médio.
No mês anterior, fevereiro, o montante de investimentos estrangeiros foi de R$ 15,4 bilhões, enquanto em janeiro chegou a R$ 26,3 bilhões. Apesar dessa queda, o total acumulado no primeiro trimestre foi de R$ 53,3 bilhões, o melhor resultado desde o mesmo período de 2022, quando os investidores internacionais aportaram R$ 65,3 bilhões na bolsa brasileira.
O volume negociado na B3 em março superou R$ 500 bilhões, totalizando R$ 512,8 bilhões em compras e R$ 501,1 bilhões em vendas. Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, comentou que esse volume elevado indica um ambiente mais favorável para grandes alocações de capital, com menor fricção para entrada e saída.
A cautela entre os investidores aumentou com o início dos conflitos no Oriente Médio, que começaram há pouco mais de um mês. O bloqueio do Estreito de Ormuz por forças do Irã gerou temores que se refletiram em uma alta do preço do petróleo, que ultrapassou os US$ 100, e em uma valorização do dólar em todo o mundo. As bolsas globais também sentiram os efeitos, com quedas nas principais praças.
Apesar do recuo generalizado, o Ibovespa se destacou como o índice com melhor valorização no acumulado do ano, apresentando uma rentabilidade de 22,65% em dólares entre janeiro e março. Esse desempenho superou outros mercados emergentes, como Peru (16,64%) e Colômbia (11,35%), além de índices como o S&P 500 (-4,63%) e o japonês Nikkei 225 (0,25%).
Analistas apontam que o Brasil está bem posicionado entre os emergentes, com menor exposição aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. A expectativa de cortes na taxa de juros, atualmente em 14,75%, também contribui para essa percepção, apesar das recentes revisões feitas por analistas sobre a taxa final.
Em um relatório enviado no final de fevereiro, o JPMorgan destacou que o Brasil é o país mais bem posicionado como um “porto seguro” na América Latina, com um destaque “extraordinário” como destino para o fluxo de investidores estrangeiros. O banco de investimento observou que o desempenho do mercado brasileiro ocorre mesmo em um contexto global de dólar fortalecido e reprecificação das curvas de juros, além de fluxo negativo para praças emergentes.

