O Equador aumentará de 50% para 100% a tarifa sobre importações da Colômbia a partir de maio. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (9) pelo Ministério da Produção, em meio a tensões nas relações entre os dois países.
Na véspera do anúncio, o Equador convocou seu embaixador em Bogotá para consultas, após o presidente colombiano Gustavo Petro classificar o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas como “preso político”. Glas está detido por corrupção.
O aumento das tarifas ocorre devido à “falta de implementação de medidas concretas e eficazes em matéria de segurança fronteiriça por parte da Colômbia”, conforme comunicado do Ministério da Produção. Desde fevereiro, os países estão em uma guerra tarifária que impacta o comércio e a cooperação energética.
A tarifa, que o Equador chama de “segurança”, subiu de 30% em fevereiro para 50% em março. O governo equatoriano justifica a necessidade do imposto, afirmando que precisa investir cerca de 400 milhões de dólares adicionais para proteger a fronteira de aproximadamente 600 quilômetros, onde atuam grupos do crime organizado.
A Colômbia respondeu com uma tarifa de 50% sobre importações equatorianas e se negou a vender energia ao Equador, que enfrentou apagões de até 14 horas diárias em 2024. O Equador busca “reforçar a corresponsabilidade” nas ações contra o narcotráfico na fronteira.
Embora tenham ocorrido diálogos para tentar resolver a questão das tarifas, as conversas não tiveram sucesso. A chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, afirmou que as negociações foram suspensas “até encontrar o ambiente propício”.
A crise diplomática se intensificou quando, na segunda-feira, Petro chamou Glas de “preso político” por meio da rede X. Glas, que possui nacionalidade colombiana, foi vice-presidente entre 2013 e 2017 e enfrenta várias condenações por corrupção e outros crimes.

