No dia 24 de abril de 2026, Jensen Huang, CEO da Nvidia, anunciou em evento no SAP Center, em San José, Califórnia, a chegada da era dos robôs inteligentes. Huang, que é taiwanês-americano, destacou que a Nvidia alcançou uma avaliação de 4,3 trilhões de dólares ao desenvolver chips GPU que sustentam a inteligência artificial global.
Durante a apresentação, Huang revelou novas versões de hardwares de data centers, como Vera Rubin e Groq, que são mais potentes e eficientes. Ele projetou vendas de 1 trilhão de dólares até o fim de 2027 com essas inovações. O ponto alto do evento foi a entrada de Olaf, o boneco de neve do filme Frozen, que interagiu com Huang, levando-o a declarar: “A era dos robôs inteligentes chegou”.
A inteligência artificial que se popularizou nos últimos anos, como ChatGPT e Gemini, representa apenas o início de uma revolução maior, chamada de Physical AI, ou inteligência artificial física. Essa nova etapa envolve máquinas que não apenas respondem a perguntas, mas também veem, tocam e agem no mundo real. Os robôs industriais, que já existem há décadas, estão evoluindo para máquinas que aprendem e tomam decisões de forma autônoma.
Esses robôs vêm em seis formas distintas: veículos autônomos, drones, robôs humanoides, quadrúpedes, de mobilidade autônoma e robôs industriais de função específica. Nitin Mittal, líder global de IA da Deloitte, afirmou: “A partir de agora, temos uma força de trabalho de carbono, representada por nós, e uma força de trabalho de silício, representada por esses agentes”.
Atualmente, a Nvidia é a principal fornecedora de chips para a infraestrutura de treinamento de robôs inteligentes, embora existam projetos de empresas como Google e Boston Dynamics. A Nvidia criou um ecossistema completo para o treinamento de robôs, que inclui ambientes de simulação e modelos de software. O evento contou com a presença de 110 empresas de robótica, que vislumbram um mercado de trilhões de dólares na próxima década.
Jeff Bezos, fundador da Amazon, anunciou um fundo de 100 bilhões de dólares para investir em fábricas com inteligência artificial, um valor considerado conservador por Jake Loosararian, CEO da Gecko Robotics. Ele acredita que o potencial de retorno da automação física é muito alto.
Treinar robôs físicos é mais desafiador do que treinar IA de linguagem, devido à escassez e ao custo dos dados do mundo real. Dominik Boesl, professor de ciências digitais e automação, destacou que a automação física é mais complexa do que o software. A primeira onda de IA física já está presente no cotidiano, como demonstrado pelos táxis autônomos da Waymo, que operam sem motoristas nas ruas de San Francisco e San José.
A Nvidia anunciou parcerias com montadoras para desenvolver uma frota de robotáxis em 28 cidades até 2028. A tecnologia de veículos autônomos está se consolidando, embora a operação em larga escala de caminhões sem motorista ainda dependa de regulamentações. Nas fábricas, a IA física já gerou 7% de ganho de produtividade ao ano em unidades da Siemens, que utilizam robôs para realizar tarefas complexas.
Jochen Fichtner, da Volkswagen, ressaltou que a automação é necessária para a competitividade, mesmo em locais onde a mão de obra é barata. A empresa planeja implementar gêmeos digitais de suas fábricas nos próximos dois anos. Na educação, Melania Trump apresentou um robô professor na Casa Branca, gerando críticas. Na medicina, a CMR Surgical anunciou uma parceria com a Nvidia para treinar robôs cirurgiões, que já demonstram precisão superior à humana.
Enquanto o Vale do Silício celebra os avanços, a China já está implementando robôs em larga escala, com previsão de que 54% de todas as operações robóticas ocorram no país em 2024, segundo a Federação Internacional de Robótica.

