A escritora argentina Laura Ramos revelou que sua babá, África de las Heras, era uma espiã da KGB, atuando no Uruguai durante a Guerra Fria. Em seu livro Mi niñera de la KGB, publicado em 2026, ela narra sua relação com a espiã e apresenta uma investigação de cinco anos sobre a vida dela.
África de las Heras, que usava o nome de María Luisa, não era apenas uma babá, mas uma agente secreta que operou no Uruguai por duas décadas. Ela foi uma militante comunista na Espanha, lutando contra o regime de Franco, e teve um papel ativo na espionagem durante a Segunda Guerra Mundial.
Ramos conta que África de las Heras se casou com o escritor uruguaio Felisberto Hernández e se estabeleceu em Montevidéu no final de 1947. A espiã utilizou o Uruguai como base para obter documentos falsos e coletar informações sobre a bomba atômica dos Estados Unidos.
Durante sua infância, Ramos e seu irmão eram cuidados por África de las Heras, que os buscava na escola e os levava para sua casa. A escritora descreve a espiã como uma mulher de meia-idade, com cabelos grisalhos e uma voz tranquila, que contava histórias e oferecia doces caros durante o lanche.
Ramos descobriu que África de las Heras se separou de Felisberto após obter a cidadania uruguaia e se casou com um espião italiano, Valentino Marchetti. Durante sua pesquisa, ela encontrou uma gravação que sugere que a espiã pode ter envenenado seu marido e também esteve envolvida na morte de um professor universitário uruguaio.
A gravação revela que o médico que atestou a morte de Marchetti também foi o responsável pela autópsia de Arbelio Ramírez, um colaborador de África de las Heras. Ramos afirma que a espiã envenenou o marido no sofá onde ela costumava tomar leite, o que a deixou assustada.
“”Segundo a gravação, ela envenenou o marido no mesmo sofá onde eu me sentava para tomar leite. Isso me parece assustador”, disse Laura Ramos.”

