Especialistas recomendam que quem planeja viajar de avião compre a passagem o mais cedo possível. O alerta ocorre após o anúncio de um reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) pela Petrobras na quarta-feira, 1° de abril de 2026.
A expectativa é que esse aumento seja repassado rapidamente aos passageiros. Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirma que o impacto deve ser sentido em até três meses. Ela aconselha:
“”Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”.”
As companhias aéreas costumam fechar contratos de combustível com seis meses de antecedência. No entanto, com a chegada das férias e do segundo semestre, que geralmente registra preços mais altos, o repasse do aumento pode ocorrer antes desse prazo. Falcão projeta um aumento de 15 a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses, apenas refletindo o aumento do barril de petróleo.
O querosene de aviação representa cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas. Com os reajustes de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que o combustível passará a representar aproximadamente 45% desses custos.
Adriano Pires, economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), também espera um aumento de até 20% nos preços das passagens. Ele destaca que as companhias aéreas podem ser forçadas a reduzir o número de voos, uma tendência já observada em outros países. Pires compara a situação atual à pandemia de covid-19, afirmando que as empresas terão que repassar os custos, mas não na totalidade.
Atualmente, as companhias aéreas brasileiras estão operando com uma ocupação média de 90% dos assentos, acima do mínimo necessário para a viabilidade da operação. O aumento no preço do querosene de aviação segue a tendência de valorização do petróleo, impulsionada pela guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz.
No mesmo dia em que anunciou os novos preços do QAV, a Petrobras informou que oferecerá condições de pagamento especiais para distribuidoras de combustível que atendem a aviação comercial. As distribuidoras poderão comprar o combustível com um aumento inicial de 18% e parcelar o restante em até seis vezes a partir de julho de 2026. Essa medida pode diluir o aumento do preço das passagens aéreas.
No entanto, Falcão expressa preocupação com a viabilidade dessa operação, alertando que a Petrobras pode enfrentar dificuldades em manter esse repasse gradual. O Ministério de Portos e Aeroportos enviou uma proposta ao Ministério da Fazenda com ações para aliviar a pressão sobre o setor aéreo, incluindo a redução temporária de tributos sobre o QAV e a diminuição do IOF nas operações financeiras das companhias aéreas.
Além disso, está em análise a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiar a compra de combustível. Pires ressalta que voar de avião é um serviço sem substituto no Brasil, dada a falta de opções de transporte para longas distâncias.

