Uma investigação da Polícia Civil revelou um esquema de aplicação irregular de canetas emagrecedoras em Monte Alto, São Paulo. O caso envolve profissionais da saúde e medicamentos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de relatos de pacientes que apresentaram efeitos colaterais após o uso das substâncias.
A investigação começou após pacientes procurarem o Pronto-socorro e unidades de saúde de Monte Alto, relatando efeitos colaterais após utilizarem canetas emagrecedoras. As queixas foram registradas na Ouvidoria do município, o eOuve. A Vigilância Sanitária acionou a Polícia Civil para apurar a situação.
As principais suspeitas são a biomédica Sinara Correa de Oliveira e a técnica de enfermagem Ivane Rosa da Silva, que foram presas em flagrante na terça-feira, 31 de março. Sinara pagou fiança de R$ 1,6 mil e foi liberada, enquanto Ivane foi liberada na quarta-feira, 1º de abril, após audiência de custódia.
Durante a operação, a polícia apreendeu ampolas de tirzepatida, substância usada em canetas emagrecedoras, armazenadas em geladeiras sem comprovação de procedência. Os produtos não tinham registro nem autorização da Anvisa. Além disso, foram encontradas fichas de atendimento de pacientes, contendo dados como nome, cronograma de aplicação, dosagens, valores cobrados e tabelas de acompanhamento de perda de peso.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Marcelo Lorenço dos Santos, duas clínicas atuavam em conjunto, uma indicando clientes para a outra, criando uma rede de encaminhamento. Pacientes captados em uma clínica de estética eram direcionados para a segunda unidade, onde o medicamento era aplicado de forma irregular.
A Polícia Civil informou que encontrou receitas médicas emitidas por um médico especialista, mas a aplicação é considerada irregular, pois o medicamento não tinha autorização da Anvisa e não poderia ser comercializado ou aplicado nessas condições. As duas profissionais devem responder por crimes contra a saúde pública, incluindo falsificação e adulteração de produtos destinados a fins medicinais.
Apesar da gravidade do caso, a Vigilância Sanitária optou por não lacrar as clínicas, permitindo que outros profissionais que trabalham nos locais sigam com a rotina de atendimento. A Secretaria Municipal de Saúde abriu processos administrativos para investigar os estabelecimentos.
A defesa de Ivane afirma que ela é ré primária, tem bons antecedentes e que os produtos apreendidos seriam de uso pessoal. A defesa de Sinara sustenta que ela atua há anos na área, sem histórico de irregularidades, e que exerce suas atividades com base em conhecimento técnico e observância das diretrizes da profissão.
O inquérito continua em andamento, com a Polícia Civil tentando identificar quem fornecia os medicamentos e quantos pacientes podem ter sido afetados pelo uso irregular das canetas emagrecedoras.

