Estudantes da Universidade de São Paulo aprovaram uma greve na noite de quarta-feira, 15 de abril de 2026. A reunião ocorreu no vão da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), localizada no campus do Butantã, na zona oeste de São Paulo.
A convocação foi feita pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) após os alunos aderirem, na terça-feira, 14 de abril, à greve dos funcionários da universidade. Cada centro acadêmico deverá convocar uma assembleia para decidir sobre a adesão ao movimento.
Os estudantes exigem melhorias nas condições de permanência estudantil, incluindo moradias, valores de bolsas e alimentação. O DCE declarou que a mobilização é irreversível, afirmando:
““Só saímos com conquistas concretas. Uma universidade rica beneficiar apenas uma categoria não é normal. Os estudantes comerem larva, barata, vidro, não é normal. Paramos para que a USP seja, de fato, de qualidade e para todos.””
O Sindicato dos Trabalhadores da USP reivindica isonomia da reitoria após a aprovação de uma gratificação aos professores no final de março. Em nota, o Sintusp afirmou que deseja que o mesmo montante destinado aos docentes em dois anos também seja aplicado aos funcionários.
No final de março, a reitoria, sob a liderança de Aluisio Augusto Cotrim Segurado, aprovou a Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), que pagará mensalmente R$ 4.500 a docentes que apresentarem propostas em áreas consideradas estratégicas pela USP. O salário inicial de um professor na instituição é de R$ 16.353,01, e a gratificação poderá beneficiar cerca de 82% dos 4.558 docentes, com um custo anual estimado em quase R$ 239 milhões.
O sindicato dos servidores agendou um ato para esta quinta-feira, 16 de abril, às 14h30, em frente à reitoria, em conjunto com estudantes e funcionários. Após a aprovação da Gace, Segurado comentou que a gratificação visa valorizar a carreira docente da USP, afirmando:
““A instituição da Gace se insere no propósito de promover mecanismos de valorização das atividades acadêmicas e da carreira docente e ao estímulo e à ampliação da excelência acadêmica como pressuposto do desenvolvimento social.””
A assessoria de imprensa da USP informou que a reitoria se reuniu com representantes de entidades estudantis e propôs a criação de grupos de trabalho temáticos para discutir políticas de apoio à permanência estudantil, com a participação do corpo discente. A reitoria reafirmou seu compromisso com o diálogo construtivo com todos os segmentos da universidade, pautado no respeito à diversidade.

