Um estudo da Universidade de Columbia revelou que condições auditivas comuns e tratáveis podem estar associadas a um risco maior de demência. A pesquisa analisou problemas no ouvido médio que podem causar perda auditiva condutiva e sua relação com a doença cerebral.
O estudo, publicado no Journal of Otolaryngology – Head and Neck Surgery, utilizou um grande conjunto de dados dos Institutos Nacionais de Saúde, incluindo mais de 300.000 adultos nos Estados Unidos.
Os pesquisadores focaram em três condições de perda auditiva: colesteatoma (crescimento anormal de pele no ouvido médio), perfuração do tímpano (um buraco no tímpano) e otosclerose (mudanças ósseas anormais no ouvido médio). Após comparar diagnósticos de demência em pessoas com essas condições, os pesquisadores descobriram que o colesteatoma estava associado a 1,77 vezes mais chances do transtorno cognitivo, enquanto a perfuração do tímpano estava ligada a mais do que o dobro do risco.
A otosclerose não apresentou associação significativa com a demência. O risco de demência associado ao colesteatoma e à perfuração do tímpano diminuiu ligeiramente quando o tratamento cirúrgico foi realizado, segundo o estudo.
Esses achados acrescentam evidências existentes de que “a cognição é impactada pela privação sensorial”, mas também sugerem que algumas das causas são tratáveis, o que poderia reduzir o risco de demência, conforme afirmaram os autores.
O estudo foi observacional, o que significa que mostra uma associação entre condições auditivas e demência, mas não pode provar que uma causa a outra. O analista médico sênior Dr. Marc Siegel observou que a demência não é a causa da perda auditiva, mas que parece haver uma “forte associação na outra direção”.
Siegel destacou que esses achados coincidem com evidências anteriores que revelam que quanto mais uma pessoa está “engajada no mundo” socialmente, menos provável é que desenvolva demência. “É quase como se o cérebro fosse um músculo social que precisa ser exercitado”, disse o médico, que não participou do estudo. “Sem a capacidade de ouvir, você fica mais isolado do mundo e mais propenso a desenvolver demência como resultado.”


